Descontente, UE promete contraproposta para Doha

O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, teve que ceder ante os ministros de Agricultura dos 27 países membros da União Européia, que criticaram neste sábado as novas propostas da Rodada Doha, consideradas por eles desequilibradas entre os capítulos agrícola e industrial. Mandelson anunciou que apresentará este domingo uma contraproposta ao texto distribuído na sexta-feira pelo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, com o objetivo de desbloquear as negociações sem desvirtuar o objetivo inicial da ronda, de promover o desenvolvimento global.

BBC Brasil |

A intenção é conseguir maiores concessões dos países emergentes em relação ao acesso a seus mercados para bens industriais.

Segundo a secretária de Estado francesa para Comércio Exterior, Anne-Marie Idrac, cujo país detém a presidência de turno da UE, o texto de Lamy, já aceito pelo Brasil, foi recusado pela maioria dos governos do bloco, especialmente por França, Irlanda e Itália, que teriam que reduzir em 70% as tarifas de importação mais elevadas sobre produtos agrícolas e em 80% os subsídios internos.

Apesar de Mandelson ter recebido um mandato para negociar em nome do bloco, qualquer acordo assinado por ele terá que ser posteriormente ratificado pelos governos nacionais.

Novas reuniões
Decididos a deixar Genebra com um acordo debaixo do braço, os membros da OMC concordaram em estender as reuniões, inicialmente programadas para terminarem este sábado, até a próxima quarta-feira.

Ainda falta decidir questões importantes, como a lista de produtos tropicais que teriam corte mais rápido nas tarifas, o possível fim do sistema de preferências para a banana dos países do bloco África, Caribe e Pacífico, e a ampliação do sistema de indicação geográfica, todos considerados importantes para os europeus.

Neste sábado, os negociadores avaliam suas propostas em relação à proposta que está sobre a mesa e discutem o capítulo de serviços da Rodada.

Apesar de afirmar que o acordo "ainda está longe de ser concluído", o comissário europeu assegura que os membros da OMC nunca estiveram tão perto disso "durante os últimos sete anos".

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