Buenos Aires, 10 ago (EFE).- Cientistas argentinos descobriram o mecanismo que detém o sistema imunológico humano, o que seria um processo-chave para desenvolver tratamentos contra o câncer, diabetes e esclerose múltipla, informaram hoje fontes oficiais.

O grupo de pesquisadores, liderado por Gabriel Rabinovich, encontrou "as engrenagens moleculares" que fazem com que o sistema imunológico seja desativado e permita, por exemplo, a expansão de células cancerígenas, afirmou um comunicado do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) argentino.

A descoberta é fundamental para o desenvolvimento de tratamentos contra tumores ou doenças como a esclerose múltipla, a artrite ou a diabetes, entre outras, que aparecem quando o sistema imunológico age sem necessidade e ataca os próprios tecidos, explicaram os pesquisadores.

"Este circuito capaz de silenciar o sistema de defesa é conhecido como 'tolerância imunológica'. Esta indução de tolerância tem uma importância-chave para evitar o desenvolvimento de doenças autoimunes e de promover a aceitação de transplantes", afirmou o Conicet.

Rabinovich e sua equipe descobriram que, na presença de uma proteína (galectina-1), as chamadas células dendríticas tornam-se capazes de silenciar e frear o sistema de defesa.

Estas células adquirem o nome de "células dendríticas tolerogênicas" por sua capacidade de gerar tolerância imunológica durante o processo, no qual também intervêm as proteínas interleucina 27 e 10.

A produção da proteína interleucina 10 pode finalmente eliminar a resposta do sistema de defesa tanto em doenças autoimunes, quanto também em infecções e tumores.

"Diante destes resultados, seria possível antecipar novos horizontes terapêuticos em diferentes patologias imunológicas", declarou Rabinovich, professor da Universidade de Buenos Aires, a maior da Argentina.

"A descoberta permite uma maior compreensão do sistema imunológico e a possibilidade de manipulá-lo para nosso benefício", acrescentou Juan Martín Ilarregui, outro membro da equipe de pesquisadores.

O trabalho, publicado hoje pela revista científica britânica Nature Inmunology, começou em 2003 por meio de testes realizados com células humanas e ratos.

Participaram da pesquisas os especialistas Diego Croci, Germán Bianco, Marta Toscano, Mariana Salatino, Jorge Geffner, Mónica Vermeulen e Juan Stupirski. EFE ms/fk/bba

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