Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 24 set (EFE).- Um grupo de cientistas dos Estados Unidos e da Tailândia descobriu a primeira vacina que consegue reduzir o risco de contaminação pela aids, com uma efetividade de 31,2%, anunciou hoje a equipe responsável pela pesquisa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) reagiram com otimismo à notícia, em um comunicado conjunto divulgado em Genebra, embora tenham advertido que não é hora de reduzir as medidas de prevenção.

Para chegarem ao resultado foram feitos testes com 16.402 voluntários na Tailândia. O estudo representa um avanço na luta contra o vírus da e confere à comunidade científica esperança de encontrar uma vacina totalmente eficaz.

"Os resultados indicam que é possível conseguir uma vacina capaz de frear a aids de forma eficaz e segura", destacou o coronel Nelson Michael, diretor do Programa de pesquisa da aids do Exército nos Estados Unidos.

"Por enquanto os resultados são muito promissores, são necessários ainda mais estudos", ponderou o cientista militar.

A equipe médica afirmou que, antes de começar a utilizar de forma universal a vacina, é preciso identificar os mecanismos de proteção e analisar todos os dados para conseguir o aumento da eficácia.

A pesquisa, considerada a mais ambiciosa realizada até o momento sobre o vírus, foi realizada pelo Exército dos Estados Unidos, o Instituto Americano de Alergias e Doenças Infecciosas, e o Ministério da Saúde da Tailândia.

Neste trabalho, colaboraram também os cientistas do Instituto Fauci, o laboratório Sanofi Pasteur e a ONG Global Solutions for Infectious Diseases.

O doutor Anthony Fauci, que com outros membros supervisionou os testes, disse que "não existe nenhuma dúvida que o resultado é muito importante", após duas décadas sem avanços nesse sentido.

Segundo sua opinião, normalmente os cientistas consideram factível uma vacina quando o nível de efetividade supera os 70%, mas explicou que no caso da aids qualquer proteção é um notável avanço.

No começo, o projeto recebeu muitas críticas porque foi considerado pouco ético e apenas mais uma forma de desperdiçar dinheiro, já que até então as experiências anteriores de vacinas contra a aids foram fracassadas.

"Eu mesmo, como outros, não pensei que a vacina tivesse muitas chances de ser eficaz, mas seguimos em frente e o resultado foi positivo", confessou Fauci.

Segundo o Unaids, pelo menos 7,5 mil pessoas morrem diariamente pelo HIV, que já infectou mais de 33 milhões em todo mundo.

A vacina, que começou a ser elaborada em 2006, é conhecida como RV144, uma mistura de duas fórmulas genéticas contra a aids que isoladas não tinham funcionado antes com humanos: Alvac, do laboratório Sanofi-Pasteur, e AidsVax, criada por VaxGen e atualmente propriedade de Global Solutions for Infectious Diseases.

A metade dos voluntários, homens e mulheres com idades entre 18 e 30 anos, receberam a vacina e a outra metade um placebo.

Os testes demonstraram que 74 pessoas tratadas com placebo contraíram a aids, frente a 51 do grupo tratado com o RV144, uma diferença pequena, embora muito significativa em termos estatísticos.

O placebo é uma substância inócua administrada aos doentes para medir o efeito sugestivo em comparação com a vacina.

Um relatório mais detalhado das provas será apresentado na Conferência de Vacinas da aids que será realizada de 19 a 22 de outubro, em Paris.

Na Tailândia, 600 mil indivíduos estão infectados com o HIV e cerca de 400 mil morreram de doenças relacionadas com a aids desde que o vírus foi identificado há mais de duas décadas.

As autoridades tailandesas já tiveram bons resultados em numerosos projetos contra a aids, como campanhas de conscientização, distribuição de preservativos gratuitos em prostíbulos ou a venda de antirretrovirais subvencionados pelo Estado.

A OMS e a Unaids qualificaram como de grande importância o resultado, embora tenham pedido prudência.

"Estamos diante de uma grande tarefa para que os organismos internacionais analisem os dados do estudo, conheçam os mecanismos de projeção e planejem o próximo passo", indicaram as agências em comunicado.

A ONU disse que no caso de se obter uma vacina efetiva contra a aids, "necessitamos que seja universalmente acessível para todas as pessoas em risco". EFE grc/dm

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