(embargada até às 15h de domingo 15 de março) Redação Central, 15 mar (EFE).- A maneira em que atuam os anticorpos das pessoas que demoram muito tempo em desenvolver a aids pode servir de nova base para as pesquisas para se conseguir uma vacina.

Alguns pacientes infectados com o Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV) são capazes de controlá-lo e fazer com que progrida muito lentamente até desenvolver a aids, segundo um artigo publicado neste domingo pela revista "Nature".

Uma equipe da Rockefeller University (EUA) se centrou no estudo de seis desses doentes, dos quais já se sabia que tinham altos níveis de anticorpos, mas até agora se conhecia pouco sobre sua eficácia.

Assim, descobriram que os doentes nos quais o HIV se desenvolve muito devagar têm uma ampla gama de anticorpos, os quais "parecem atuar como uma equipe" para neutralizar o vírus, enquanto cada um deles sozinho não é capaz de fazê-lo.

Esses anticorpos podem também reconhecer um amplo leque de cepas do HIV, um vírus que sofre mutação com grande rapidez, o que o transforma em um "astuto adversário" do sistema imunitário.

Durante 25 anos, os cientistas tentaram, sem sucesso, desenvolver uma vacina contra o HIV baseada em um pequeno número de "superanticorpos" manipulados para evitar que o vírus se enraíze, mas não se conseguiu que sejam produzidas nas pessoas.

No entanto, os vários anticorpos dos pacientes em estudo são capazes de reconhecer uma ampla gama de cepas do HIV, o que "sugere que ter muitos tipos diferentes de anticorpos poderia ser melhor que ter um superanticorpo que se centra em uma parte do vírus, que pode mutar com facilidade".

O estudo indica que uma vacina que possa imitar a resposta dos anticorpos desses pacientes "poderia ser um instrumento mais eficaz para ajudar a lutar contra o vírus".

O chefe da equipe científica, Michel Nussenzweig, explicou que queriam tentar algo diferente, por isso que tentaram reproduzir o que há nos pacientes nos quais o HIV progride muito lentamente até desenvolver a aids.

Essas pessoas têm muitos anticorpos diferentes, os quais de maneira individual têm uma "capacidade limitada" de neutralização, mas todos juntos "são bastante poderosos", disse Nussenzweig. EFE cr/ma

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