Cientistas canadenses fizeram uma descoberta que pode levar a uma compreensão melhor dos elementos que geram a transmissão do vírus Ebola de um animal para um humano e que pode evitar epidemias, anunciou a Agência de Saúde Pública do Canadá (ASPC).

"Essa descoberta permitirá aos cientistas prevenir a propagação inicial do vírus dos animais para os humanos, assim como evitar uma epidemia de febre hemorrágica de Ebola nos humanos", indicou a agência em um comunicado.

O vírus Ebola causa nos humanos uma febre viral hemorrágica muito contagiosa e altamente mortal.

Quase 90% dos pacientes infectados pela enfermidade morrem, e não existe ainda um tratamento ou vacina. Acredita-se que o vírus do Ebola seja transmitido aos humanos pelo contato com os animais infectados, e depois propagado entre as pessoas por contato direto com o sangue ou fluídos corporais das pessoas infectadas.

Trabalhando com pesquisadores da Universidade de Manitoba e dos laboratórios do National Institutes of Health de Montana (noroeste dos Estados Unidos), os cientistas canadenses descobriram que o vírus do Ebola pode viver em um animal hospedeiro, como um morcego. O vírus provoca então uma pequena infecção, até o momento em que se reúnem as condições necessárias para a reprodução e propagação do vírus para outro animal hospedeiro, como um macaco ou até um humano.

Estimulando quimicamente células de rato e de morcego, os pesquisadores conseguiram ativar o vírus colocando em evidência o mecanismo que torna a infecção mais virulenta, explicou o doutor Jim Strong da ASPC, um dos autores do estudo.

Esse conhecimento mais aprofundado "dos elementos que ativam o vírus poderá, por um lado, contribuir para evitar epidemias e, por outro, ajudar a suprimir o vírus nos humanos", indicou à AFP.

O estudo foi publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences dos Estados Unidos.

ps/dm

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