Paris, 19 mai (EFE) - A descoberta da aids completou 25 anos e, mesmo o vírus HIV sendo o mais estudado no mundo e embora tenha havido muitos avanços, ainda há um longo caminho a ser percorrido até ser encontrada uma vacina à doença, afirmaram hoje especialistas reunidos em um colóquio no Instituto Pasteur de Paris.

"Não fizemos mal (ao vírus) nos primeiros 25 anos, mas nos julgarão pelo que fizermos nos próximos 25", resumiu o imunologista americano e diretor do Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID, na sigla em inglês), Anthony Fauci.

Os cientistas que participaram do congresso ressaltaram que o objetivo de encontrar a vacina está longe de ser alcançado, pois, embora haja "dúzias" de pesquisas, "pode-se contar nos dedos" aquelas que fazem testes em grupos humanos de escala considerável, acrescentou Fauci.

Mesmo assim, os pesquisadores disseram que o último quarto de século serviu para "construir uma base" sobre a qual trabalhar.

Isso porque o HIV, complexo genética e biologicamente, se transformou, "provavelmente, no vírus mais conhecido no mundo", indicou o imunologista do Centro de Pesquisa em Vacinação de Bethesda (EUA) Gary Nabel.

Robert Gallo, co-descobridor em 1983 da aids junto com o francês Luc Montagnier, afirmou em seu discurso durante os dois dias do evento organizado pelo Instituto Pasteur que a experiência com macacos, essencial para o avanço, está bastante limitada na Europa e Estados Unidos pelas leis de proteção a animais.

Ele ressaltou que "houve um grande progresso, mas também grandes erros" e acrescentou que "ainda resta muito a fazer", ao que Montagnier acrescentou que "o vírus continua aí".

Além da pesquisa para descobrir a vacina existem outros problemas muito graves associados à doença contra os quais é preciso continuar combatendo, disseram os cientistas.

"Para cada paciente que é internado, três são infectados", disse Fauci, que dirige um centro que dedica anualmente US$ 500 milhões à pesquisa sobre o HIV.

Ele insistiu na importância de avançar no acesso de todos aos remédios e de trabalhar em matéria de prevenção, além de "redobrar os esforços e os compromissos para conseguir a vacina" contra uma doença que afeta 40 milhões de pessoas no mundo. EFE jaf/db

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