Descoberta de cientistas pode levar à vacina contra bronquiolite

Buenos Aires, 15 dez (EFE).- Uma equipe de cientistas argentinos descobriu por que em 1967 uma vacina contra a bronquiolite (obstrução inflamatória dos brônquios) falhou, o que abre maior possibilidade para criar uma imunização efetiva contra uma doença que mata 1 milhão de crianças por mundo no mundo, informou hoje a imprensa local.

EFE |

Especialistas da Fundação para a Pesquisa em Infectologia Infantil (Infant), situada em Buenos Aires, determinaram o motivo pelo qual uma vacina desenvolvida em 1967 nos Estados Unidos contra a doença causou a hospitalização de mais de 100 crianças e matou duas delas.

Fernando Polack, diretor-executivo da Infant, explicou que o anticorpo injetado nessa vacina foi justamente o que afetou as crianças.

"Os anticorpos têm que ter uma força especial para impor-se ao vírus e assim bloqueá-lo. Se o anticorpo não tem essa força, termina desencadeando uma doença auto-imune", declarou à imprensa local Polack, que comanda a pesquisa há anos.

"No corpo há receptores (chamados toll) que reconhecem diferentes germes. Se a vacina é capaz de reconhecer e ativar os receptores toll, é efetiva porque adquire a força para ativar a bronquiolite. A vacina de 1967 não tinha ativado os receptores toll; por isso causou o dano", acrescentou o pesquisador.

Para desenvolver a vacina, os cientistas americanos tinham seguido o mesmo método de Jonas Salk, que em 1955 descobriu a imunização contra a poliomielite ao injetar o vírus morto para que o organismo desenvolvesse a imunidade.

A fim de achar uma solução para a bronquiolite, os pesquisadores vacinaram 200 bebês de Washington, dos quais 80% tiveram que ser internados e dois deles, de 14 e 16 meses, morreram.

"A necropsia demonstrou que tinham os pulmões cheios de sincicial, que é o vírus respiratório que provoca a bronquiolite", sustentou Polack, cuja pesquisa foi publicada hoje na revista especializada "Nature Medicine".

A partir daquele episódio, nenhuma outra equipe de pesquisa pôde desenvolver uma vacina contra a doença, que a cada inverno argentino registra um aumento do número de casos.

No entanto, este novo desenvolvimento "abre a porta para criar uma vacina que seja efetiva", ressaltou Polack.

"São milhões de meninos os que a cada ano se infectam com esse vírus e, por isso, todos os invernos há um colapso tanto nas unidades pediátricas de Londres quanto nas de Berazategui (na província de Buenos Aires)", comentou a bioquímica Florencia Delgado, co-autora do estudo. EFE ms/ab/jp

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