Descoberta de carbonatos em Marte revela passado propício à vida

Pesquisadores americanos descobriram carbonatos em Marte, o que sugere que a água que pode ter corrido no passado pelo Planeta Vermelho não era tão ácida, e sim mais propícia ao surgimento da vida, revela um estudo publicado na revista Science desta sexta-feira.

AFP |

Esta descoberta, realizada graças a um espectrômetro da sonda americana Mars Reconnaissance Orbiter, em órbita de Marte, indica que a água do planeta tinha um PH neutro ou alcalino quando estes minerais se formaram, há 3,6 bilhões de anos.

Os carbonatos são minerais encontrados em abundância na superfície da Terra e que se dissolvem rapidamente na acidez. Sua presença em Marte questiona a teoria de que um ambiente ácido predominou na história do Planeta Vermelho, destacam os cientistas.

A presença de carbonatos em Marte também indica que diferentes tipos de ambientes úmidos ocorreram no planeta, ampliando as chances da existência de vida, segundo os autores do estudo.

"Estamos entusiasmados por finalmente termos descoberto carbonatos, que fornecem mais detalhes sobre as condições que prevaleceram durante diferentes períodos marcianos específicos", disse Scott Murchie, do laboratório de física aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel (Maryland), principal autor do estudo.

Os carbonatos se formam quando a água e o dióxido de carbono (CO2) reagem com o cálcio, o ferro ou o magnésio das rochas vulcânicas.

Se todo o CO2 da Terra contido nos carbonatos fosse liberado, a atmosfera terrestre seria tão densa quanto a de Vênus, destacam os autores do estudo.

Os pesquisadores acreditam que uma atmosfera rica em CO2 no passado manteve temperaturas quentes em Marte que permitiram a presença de água em estado líquido na superfície do Planeta Vermelho por tempo suficiente para formar os vales observados hoje.

"Descobrimos indicações de que o ambiente marciano não era inteiramente ácido há 3,5 bilhões de anos, como acreditava a comunidade científica", destacou Bethamy Ehlmann, da Universidade Brown, em Providence (Rhode-Island).

"Identificamos ao menos uma região de Marte que era potencialmente hospitaleira à vida".

Os depósitos de carbonato foram detectados na zona da bacia de Isidis, de 1.500 km de diâmetro e que se formou há 3,6 bilhões de anos.

js/LR

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