Desavenças marcam segundo dia do Fórum Mundial da Água

Istambul, 17 mar (EFE).- O segundo dia do 5º Fórum Mundial da Água, realizado nesta semana em Istambul, terminou em meio a discordâncias que impediram avanços nos documentos de trabalho que servirão de base à declaração ministerial que encerrará o evento.

EFE |

O Governo da Comunidade Autônoma de Aragão, na Espanha, por exemplo, recusou um dos documentos finais, o qual inclui a transferência de águas entre bacias hidrográficas como medida possível para solucionar situações de deficiência hídrica.

O conselheiro de Meio Ambiente de Aragão, Alfredo Boné, declarou que a aprovação do texto "atentaria contra a sustentabilidade social, ambiental e econômica" no caso de sua região de origem.

Esses documentos recolhem reflexões dirigidas a autoridades locais e regionais, com o objetivo de desenvolver estratégias para a gestão de água que permitam responder às mudanças globais.

A delegação uruguaia reuniu protestos de associações de defesa do meio ambiente e pediu que a declaração ministerial reconheça o acesso à água como um direito humano fundamental, como já havia sido exigido no Fórum anterior, realizado há três anos no México.

Tal reivindicação é defendida por outros países latino-americanos como Cuba, Venezuela e Bolívia, que assinaram uma declaração alternativa no México, além da oficial - algo que também pode ocorrer em Istambul, segundo o Diretor Nacional de Água e Saneamento do Uruguai, José Luis Genta.

Genta disse que em seu país "os serviços de água e saneamento são garantidos constitucionalmente como um direito humano e são administrados exclusivamente pelo Estado".

Já Maude Barlow, conselheira para assuntos de água na Assembleia Geral da ONU, opinou que "devemos decidir se deixamos que a água seja uma mercadoria voltada para a obtenção de lucro, enquanto há gente que morre por não ter acesso a ela, ou se é um direito humano, em cujo caso temos que saber que não poderá ser comercializada".

A diretora-geral de Água do ministério do Meio Ambiente espanhol, Marta Morén, defendeu uma Estratégia Europeia para a escassez de água por meio da atuação do ainda inexistente Observatório Europeu da Seca, cuja criação foi aprovada pelo Parlamento Europeu na semana passada.

Representantes dos mais de 180 países participantes do fórum realizaram hoje sessões sobre diversos assuntos, entre eles a situação da água na Europa e na América, os efeitos da mudança climática sobre a água e os modelos de gestão pública e privada dos recursos hídricos.

Os participantes da manifestação realizada ontem durante a abertura do fórum criticaram "a brutalidade e a repressão" do Governo turco e a falta de democracia do Conselho Mundial da Água, organizador do evento junto ao país anfitrião.

Além disso, os manifestantes exigiram a libertação dos 17 ativistas turcos detidos e condenaram a deportação de dois membros da ONG International Rivers, ocorrida hoje. EFE amu/bba/mh

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