Desavenças atrasam reformas na Igreja da Natividade

Partes da igreja sagrada estão em estado de abandono. Autoridades advertem que será preciso restringir número de visitantes

BBC Brasil | 24/12/2010 18:58

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Enquanto milhares de peregrinos cristãos e turistas visitam Belém, na Cisjordânia, onde acredita-se que Jesus tenha nascido, autoridades locais advertem que, se não forem feitas reformas urgentes na secular Igreja da Natividade, será preciso restringir o número de visitantes ao local. Construída inicialmente no século 4º, a icônica igreja já foi devastada por guerras e por desastres naturais, mas sempre foi reconstruída.

O local onde a maioria dos cristãos crê que nasceu Jesus é controlado e protegido por um tenso acordo entre cristãos ortodoxos gregos, franciscanos e armênios. Desavenças frequentes entre eles são uma das razões que explicam por que partes da igreja da Natividade estão em aparente estado de abandono. O teto de madeira e chumbo, que tem 500 anos, é motivo de grande preocupação. Qustandi Shomalin, da Universidade de Belém, diz que a política religiosa local está impedindo que importantes reformas sejam feitas.

"A água vaza por buracos no teto, afetando não só a estrutura (do local) como afrescos e mosaicos dentro da igreja", diz.

Foto: AP

Cruz é vista em frente da Igreja da Natividade, onde cristãos creem que Cristo nasceu, durante procissão de Natal em Belém, Cisjordânia


Desacordo
Como os líderes religiosos não chegam a um acordo quanto a quem deve conduzir e pagar pelas reformas, o governo palestino está sendo forçado a intervir no processo. Ziad Bandak, assessor para assuntos cristãos do presidente palestino, Mahmoud Abbas, diz que a Autoridade Palestina deu um ultimato aos líderes religiosos.

"Infelizmente, eles não chegaram a um acordo, então estamos fazendo um apelo internacional por doações e planejamos iniciar a restauração em algum momento do novo ano", disse Bandak.

Disputas históricas à parte, a prefeitura anseia por mais visitantes para que estes tragam mais dinheiro à economia. Nabil Jackman, um lojista local, admite que o aumento do turismo neste ano tem sido bom para os negócios, mas agrega que o panorama geral ainda é sombrio por causa de restrições práticas ao número de visitantes que vão a Belém ao longo do ano. Muitos locais se queixam da falta de um acordo de paz entre israeleneses e palestinos. Israel, inclusive, controla o acesso à cidade sagrada, com postos de checagem e com a ajuda do enorme muro que circunda Belém.

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