De acordo com governo japonês e Tepco, só a retirada de combustível fundido no interior dos reatores deve demorar 25 anos

A desativação da usina de Fukushima Daiichi, epicentro da pior crise nuclear desde a de Chernobyl, levará até 40 anos, segundo os planos da companhia elétrica Tepco e do governo japonês divulgados nesta quinta-feira pela rede NHK.

A crise nuclear foi provocada pelo terremoto seguido de tsunami que atingiu o país em 11 de março, causando danos ao sistema de resfriamento dos reatores da usina.

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Prédio danificado de Reator 4 é visto na usina de Fukushima, Japão (arquivo)
AP
Prédio danificado de Reator 4 é visto na usina de Fukushima, Japão (arquivo)

Segundo o cronograma desenvolvido a partir de um relatório da Comissão de Energia Atômica do Japão, o combustível nuclear usado que está nas piscinas dos reatores 1, 2, 3 e 4 começará a ser retirado em dois anos. O material será armazenado temporariamente nas próprias instalações da central.

O combustível fundido no interior dos reatores 1, 2 e 3 será retirado em um prazo próximo a 25 anos, e então começarão os trabalhos para desmantelar as unidades, o que deve levar outros 15 anos.

Nesta nova agenda estão incluídos os prazos necessários para reparar as fendas nos reatores e nas estruturas de contenção, detalhou a NHK, que destacou a dificuldade do trabalho e a possibilidade de os operários trabalharem em condições de elevada radioatividade.

Robôs acionados por controle remoto serão usados em algumas tarefas, como já foi feito nos últimos meses para avaliar as condições no interior de algumas instalações danificadas.

Nesta sexta-feira, o governo deverá declarar que foi possível alcançar uma "parada fria" nos reatores 1, 2 e 3 de Fukushima. Isso significa que as temperaturas dessas unidades estão estabilizadas abaixo de 100 graus centígrados e que os vazamentos regrediram de forma substancial. Após a declaração de "parada fria", o governo e a Tepco devem empreender os trabalhos de descontaminação nas zonas vizinhas à central, onde antes da crise vivam mais de 80 mil pessoas.

O Executivo mantém um raio de exclusão de 20 quilômetros em torno da usina por causa da crise, que provocou perdas milionárias à agricultura, pecuária e pesca na região.

Com EFE

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