O número de mortos na escola que desabou na sexta-feira em um subúrbio da capital do Haiti, Porto Príncipe, subiu para pelo menos 82 pessoas neste sábado, com outras 107 feridas, segundo informações de autoridades locais. Equipes de resgate trabalharam durante toda a noite com o auxílio de holofotes para encontrar sobreviventes nos restos do prédio de três andares do colégio La Promesse.

Cerca de 500 crianças e professores estavam na escola no momento do desabamento, na sexta-feira.

O presidente René Préval foi ao local neste sábado e afirmou que era "terrível ver um desastre como este".

Enquanto o presidente inspecionava os escombros da escola administrada pela Igreja no subúrbio de Petionville, as equipes de resgate informaram que tinham encontrado os corpos de 16 estudantes e um professor dentro de uma das classes.

"Realmente é doloroso ver aquelas crianças debaixo dos escombros sem conseguirmos ajudá-las", disse o presidente.

Minustah e Cruz Vermelha
Engenheiros da Minustah (missão da ONU no Haiti, liderada pelo Brasil) e integrantes da Cruz Vermelha do Haiti estão no local tentando ajudar as equipes de resgate na remoção de grandes pedaços de concreto.

"Parece um terremoto", disse o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, chefe das forças de paz ONU no Haiti.

"Há muitas pessoas sob os escombros. Nós não sabemos quantas exatamente, mas havia muitas pessoas tendo aulas no momento", disse Cruz.

Alguns membros das equipes de resgate estão retirando os escombros apenas com as mãos.

No local funcionava um jardim-de-infância e aulas de primeiro e segundo graus, com um total de 700 crianças matriculadas.

O presidente René Préval acrescentou que as equipes de resgate conseguiram entregar água e biscoitos por meio de buracos no entulho para um grupo de crianças e os esforços foram concentrados no resgate deste grupo.

"Na noite passada tínhamos certeza de que sete crianças ainda estavam vivas. Conseguimos retirar uma delas, mas perdemos todos os sinais das outras seis. Alguns afirmam que elas podem estar dormindo, outros acreditam que elas morreram", disse.

Causas
Anda não há informações oficiais sobre as causas do desastre, mas notícias dão conta que o andar superior da escola ainda estava em construção.

Soldados da missão da ONU e a polícia local foram enviados ao local para conter a multidão de curiosos e familiares das vítimas que foram até o local e estão prejudicando a chegada de máquinas e mais equipes de resgate.

Uma porta-voz da ONU no Haiti, Sophie de la Combe, afirmou à BBC que a organização e outras agências estão tentando salvar o máximo de vítimas.

Mas de la Combe afirmou que os restos do prédio também precisam ser reforçados para garantir um resgate seguro e eficaz.

"(O prédio) Ainda está desabando", afirmou.

Especialistas em resgate das ilhas francesas de Guadeloupe e Martinica e também dos Estados Unidos estão a caminho do Haiti.

Segundo correspondentes as construções precárias e deslizamentos de terra são comuns no Haiti, o país considerado mais pobre do hemisfério ocidental.

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