Desafios de Obama persistem apesar de melhora nos laços com AL

Por Guido Nejamkis PORT OF SPAIN (Reuters) - Barack Obama se saiu bem no banho de América Latina a que se submeteu no encontro de líderes continentais encerrado no domingo, mas o trabalho mais pesado do mandatário para melhorar os laços entre Washington e a região somente começou.

Reuters |

Para o encontro se aguardavam duros choques entre Obama e os presidentes de esquerda que governam a região, em especial o da Venezuela, Hugo Chávez, mas "a guerra não ocorreu", disse o

presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Pelo contrário, Chávez e Obama se saudaram cordialmente e Washington e Caracas anunciaram que vão iniciar a retomada de suas relações diplomáticas, destroçadas durante a presidência de George W. Bush.

Diplomatas latinoamericanos ressaltaram a importância das palavras de Obama de reconhecimento da diversidade política da região, e a menção do presidente norte-americano a projetos específicos de cooperação energética que espera concretizar com Brasil, Chile, México e El Salvador.

"Foi uma reunião completa, que poderia ter terminado em um grande desencontro, mas criou pontes para um diálogo futuro. Fizemos limonada de um limão", avaliou Marco Aurelio García, assessor de política exterior de Lula.

A concretização da reclamada reincorporação de Cuba aos fóruns interamericanos, entre eles a OEA e as cúpulas das Américas, supõe um duro desafio para os Estados Unidos, que deverá se esforçar para não romper o consenso dominante da organização.

Um possível diálogo de Washington com Havana, e resultados no combate ao crime organizado e no pedido para que os Estados Unidos impulsione os organismos multilaterais, para aumentar o fluxo de fundos à América Latina, serão exigidos pela região e vão se transformar em motivo de desgaste se as iniciativas demorarem ou se virem frustradas.

Em eventos paralelos não faltaram críticas aos Estados Unidos por sua velha política de "Grande Garrote" com a América Latina, apesar de Obama ter "abrandado corações" mostrando "capacidade de escutar e refletir sobre o que lhe diziam", segundo relatos de chefes de Estado e diplomatas.

"Um clima novo se criou em todo o continente (...) foi um êxito a cúpula", disse Chávez.

Evo Morales, presidente da Bolivia, criticou de forma veemente, diante de Obama, o que denunciou como interferências dos Estados Unidos em assuntos domésticos de seus país.

"Cabe a Obama refletir sobre esses fatos. E mudá-los", avaliou Lula.

"Houve uma quebra de gelo, uma distensão", resumiu o chanceler brasileiro, Celso Amorim, ao término do encontro de três dias na capital de Trinidad e Tobago.

Um diplomata sulamericano concordou, mas ressaltou: É um início auspicioso, mais um início e fim. Ainda está tudo por fazer".

(Com reportagens de Ana Isabel Martínez, Damián Wroclasvky, Pascal Fletcher e Pat Markey)

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