Desabrigados por terremoto na Turquia enfrentam neve e chuva

Ajuda internacional começa a chegar à província de Van, leste do país, atingida por um terremoto que deixou 534 mortos

iG São Paulo |

Más condições climáticas dificultam nesta quinta-feira a situação de milhares de desabrigados pelo forte terremoto que atingiu a Turquia no domingo, deixando ao menos 534 mortos e mais de 2,3 mil feridos. Na Província de Van, atingida pelo temor, a chuva que começou a cair na noite de quarta-feira deu lugar à neve pela manhã.

A agência meteorológica do país prevê que a nevasca continue de forma intermitente pelos próximos três dias, baixando as temperaturas enquanto milhares de sobreviventes passam a noite em barracas e tentando se aquecer com cobertores e fogueiras.

Reuters
Pai abraça a filha em campo para desabrigados por tremor na cidade de Ercis, na Turquia

“Está ficando cada vez mais frio, meus filhos estão tossindo. Não sei quanto tempo teremos de ficar aqui”, afirmou Sermin Yildirim, grávida de oito meses, que divide uma barraca com os filhos gêmeos, o marido e mais quatro parentes distantes.

O apartamento de três andares onde ela morava não foi danificado pelo tremor, mas a família tem medo de voltar para casa por causa dos terremotos secundários que continuam acontecendo. O governador da província de Van, Munir Karaoglu, afirmou que 2,2 mil edifícios não são habitáveis.

Autoridades turcas distribuíram mais barracas aos desabrigados após críticas sobre a falta de organização na distribruição de ajuda . O descontrole na operação chegou ao ponto de algumas famílias receberem três ou quatro barracas para as revenderem àqueles que não têm nenhuma.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, reconheceu alguns erros logísticos. "Houve erros na distribuição das barracas nas primeiras 24 horas, reconhecemos. Em circunstâncias similares, essas coisas podem acontecer no mundo todo", disse.

Nesta quinta-feira, a ajuda internacional começou a chegar à Turquia. Israel, que vive uma crise diplomática com Ancara por causa de um ataque a uma flotilha turca no ano passado, enviou tendas, cobertores e roupas. Alemanha, Rússia e Ucrânia também fizeram contribuições.

Equipes ainda buscam sobreviventes e, segundo o governo turco, até agora 185 moradores foram retirados de escombros. Algumas informações da mídia disseram que equipes de resgate resgataram com vida um jovem de 19 anos na manhã desta quinta-feira na cidade de Ercis, a mais afetada pelo tremor., mais de 90 horas após o tremor, mas o chefe resgatista chief Mustafa Ozden disse à Associated Press que ele na verdade foi resgatado na terça-feira.

Construções irregulares

Na quarta-feira, Erdogan responsabilizou construções irregulares pelo número elevado de mortos, prometendo derrubar todos os edifícios erguidos sem licença e que não estejam preparados para suportar tremores.

"Vendo os escombros, podemos comprovar a má qualidade dos materiais. O cimento se transformou em areia. Os municípios, as empreiteiras e a fiscalização deveriam perceber que essas negligências são comparáveis a cometer um crime", afirmou.

Erdogan prometeu se encarregar do problema contra as construções irregulares, embora seja uma medida impopular para o governo. De acordo com ele, o Executivo ordenará derrubar todos os "gecekondu", que são bairros de casas construídas pelos próprios moradores sem permissão e normalmente em terrenos de propriedade estatal, onde mora mais da metade da população urbana da Turquia, segundo alguns estudos.

"Se for preciso, utilizaremos dinheiro do orçamento para expropriar esses edifícios tipo 'gecekondu' ou construídos sem licença. Seja qual for o preço, apesar dos problemas para os votos. Se temos de escolher, preferimos perder o governo a continuar com esse panorama", disse.

Com AP, AFP e EFE

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