Derrota evidencia incapacidade de Obama de conquistar operários brancos

Teresa Bouza Washington, 13 mai (EFE).- A contundente vitória de Hillary Clinton nesta terça-feira na Virgínia Ocidental deixou em evidência a incapacidade de seu rival pela candidatura presidencial democrata, o senador Barack Obama, de conquistar os votos dos operários brancos.

EFE |

Esses eleitores serão decisivos nas eleições gerais de 4 de novembro, ao lado dos jovens, dos hispânicos e dos moradores das zonas rurais e das pequenas cidades americanas, segundo o diário "The Wall Street Journal".

"Estou conquistando o voto dos católicos, dos hispânicos, dos trabalhadores e dos eleitores mais velhos, o grupo de pessoas que o senador republicano John McCain lutará para atrair nas eleições gerais", lembrou a senadora esta semana.

E assim como ocorreu em Ohio e na Pensilvânia, Hillary venceu nesta terça por goleada entre a classe trabalhadora branca.

As pesquisas a boca-de-urna mostram que quase dois terços dos eleitores na Virgínia Ocidental são da classe operária branca, grupo que engloba os trabalhadores que não possuem estudos universitários.

Cerca de 75% desses eleitores deram hoje seu apoio à senadora democrata por Nova York, um de seus melhores resultados com esse grupo em todas as primárias até o momento.

Trata-se de um paradoxo que não deixa de surpreender, já que Obama, e não Hillary, vem de uma família modesta de classe média e que, mesmo assim, não consegue se conectar com essa esquiva classe média trabalhadora.

Os assessores da senadora por Nova York asseguram que sua força nessa frente e sua habilidade para vencer estados maiores e importantes como Flórida, Ohio, Texas e Pensilvânia a transformam na candidata com mais possibilidades de triunfar nas urnas em novembro.

No entanto, dificilmente esse argumento conseguirá alterar uma realidade que se apresenta adversa para Hillary, que venceu em menos estados, tem menos votos populares e menos delegados que Obama.

O senador afro-americano precisa de cerca de 150 delegados para conseguir a nomeação, o que poderia ocorrer nas próximas três semanas se os "superdelegados" continuarem lhe apoiando.

Mas Hillary não desiste, e assegurou hoje estar "mais decidida que nunca" a continuar na campanha, diante de sua convicção de que é a melhor candidata para liderar o país.

"Para chegar à Casa Branca é preciso vencer nos estados indefinidos", que se caracterizam por mudar seu padrão de voto nas diferentes eleições, afirmou Hillary, que acrescentou que ela é a vencedora nesses estados-chave.

A ex-primeira-dama terá mais uma dura batalha pela candidatura na próxima semana, em Kentucky e no Oregon, e prometeu hoje que estará na briga também nas últimas três primárias do partido, que acontecerão em Dakota do Sul, Montana e Porto Rico.

"Está claro que os analistas que declararam que esta corrida tinha chegado ao fim estão equivocados", disse a senadora.

"Os eleitores da Virgínia Ocidental provaram isso de forma taxativa e querem que esta luta continue", afirmou.

Enquanto isso, Obama parece já estar focado nas eleições gerais de novembro.

"Esta é nossa oportunidade de construir uma nova maioria de democratas, independentes e republicanos que sabem que já não é possível suportar outros quatro anos de George W. Bush", disse hoje em um ato eleitoral no Missouri, um estado que promete ter uma disputa acirrada em novembro.

"Este é o nosso momento de superar as divisões e distrações que caracterizam a política de Washington", acrescentou Obama, que pretende se tornar o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

No entanto, as pesquisas de boca-de-urna na Virgínia Ocidental demonstram que a cor de sua pele pode pesar contra em sua campanha.

Um de cada cinco eleitores disse hoje levar em conta a questão racial, e oito de cada dez desses eleitores apoiaram Hillary nas urnas. EFE tb/mh

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