Macarena Vidal. Washington, 20 jan (EFE).- A derrota nas eleições para o Senado em Massachusetts, que representou para o Partido Democrata a perda da maioria qualificada, amargou hoje o primeiro aniversário da chegada de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos.

Se há exato um ano a capital americana estava tomada por democratas empolgados com a posse do primeiro presidente negro do país, hoje quem vibrava eram os republicanos. Eles esperam que a vitória de Scott Brown sobre a democrata Martha Coakley em Massachusetts marque o início da recuperação política da direita.

"O presidente tem que encarar isso como uma mensagem para reavaliar como quer governar. Se quiser governar do centro, ali o encontraremos", declarou o líder da bancada republicana no Senado, Mitch McConnnell.

Já o vitorioso Brown assegurou que o triunfo representa uma mensagem muito firme de que as coisas não continuarão sendo feitas como até agora.

A derrota em um dos estados mais progressistas do país - Massachusetts não tinha um senador republicano há 37 anos - e em uma cadeira que durante quase meio século foi de Ted Kennedy representa um golpe pessoal para Obama, que fez campanha por Coakley.

Obama optou hoje por tentar se manter distante - ao menos publicamente - das consequências do ocorrido. Na noite passada, segundo a Casa Branca, ligou para os dois políticos em Massachusetts e felicitou Brown.

O presidente, cuja popularidade caiu em um ano de 70% para 50%, evitou falar do triunfo republicano em um comparecimento na Casa Branca hoje para assinar uma medida contra a presença em licitações federais de empresas que tenham evadido impostos.

Mais expansivo que seu chefe se mostrou o principal assessor político da Casa Branca, David Axelrod, que em declarações ao canal "MSNBC" reconheceu que a derrota em Massachusetts contém "mensagens" para os democratas.

"Vamos escutar essas mensagens", prometeu Axelrod, para quem "há um sentimento geral de descontentamento com a economia e (...) com Washington".

Obama, segundo o assessor, "reflete sobre o que aconteceu e estuda que lições pode tirar disso e como avançar".

Ele ressaltou que, completado o primeiro aniversário de seu mandato, o presidente está tão decidido como há um ano a fazer com que o sistema e a economia funcionem para todos.

Em sentido similar se pronunciou o porta-voz de Obama, Robert Gibbs. De acordo com o assessor, "há um grande nível de enfado e de frustração sobre a situação econômica do povo" e a forma como esses problemas foram resolvidos definirá as próximas batalhas políticas.

A vitória de Brown (52% dos votos) pode ser interpretada também como um golpe contra a reforma de saúde negociada no Congresso, a prioridade legislativa de Obama. O projeto se torna cada vez mais impopular entre os americanos.

Os republicanos se opõem de modo taxativo à medida, aprovada na Câmara de Representantes e no Senado apenas com votos democratas.

O resultado em Massachusetts dá aos republicanos a cadeira que precisavam para chegar a 41 membros no Senado e poder, assim, bloquear a medida definitiva derivada da unificação dos projetos de lei de ambas as câmaras.

O poder de veto recém-adquirido pelos republicanos também pode complicar outros objetivos de Obama para este ano, como medidas contra a mudança climática e para as reformas do sistema regulador financeiro e migratório.

A Casa Branca já prometeu que, apesar de ser possível uma mudança de estratégia, não abrirá mão de seus objetivos.

"Vamos ter que mudar neste próximo ano do ponto de vista da tática, mas a base da missão não pode mudar", afirmou Axelrod. EFE mv/rr

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