Derrota eleitoral deixa vazio de poder no Partido Republicano

César Muñoz Acebes Washington, 5 nov (EFE).- A grande derrota dos republicanos nas eleições de terça-feira abre um vazio de poder no partido, cujo desafio será reconquistar os eleitores de centro, mas sem alienar a sua base mais leal na direita, segundo os analistas.

EFE |

As tensões no seio do partido emergiram à superfície inclusive antes da eleição e previsivelmente só aumentarão com o revés histórico sofrido pelos republicanos.

Trata-se de um partido acéfalo. O chefe de Estado de EUA, George W. Bush, e o vice-presidente Dick Cheney se encaminham à retirada, enquanto, aos 72 anos, John McCain queimou sua última possibilidade de ser presidente.

Além disso, os atuais líderes republicanos no Congresso estão desprestigiados, em vista da vitória decisiva dos democratas na Legislatura.

Desta forma, criou-se o caldo de cultivo para a ascensão de uma nova geração de líderes, como ocorreu em 1992, quando o então congressista Newt Gingrich emergiu como o rosto de um partido com energia renovada, após a chegada ao poder de Bill Clinton.

O presidente do Comitê Nacional Republicano, Michael Duncan, disse hoje em discurso que a bancada de seu partido é "amplo" e citou a Sarah Palin, "a governadora mais popular dos Estados Unidos", segundo lembrou, Eric Cantor, congressista da Virgínia, e Bobby Jindal, governador da Louisiana, entre outros.

Também são estrelas em alta os governadores Tim Pawlenty, de Minnesota, e Charlie Crist, da Flórida.

Além disso, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, principal rival de McCain nas primárias de seu partido, poderia apresentar-se de novo às eleições, segundo os analistas.

Por enquanto a atenção se centrou em Palin, a fracassada candidata à Vice-Presidência, que na campanha atraiu mais partidários aos comícios -dezenas de milhares com freqüência- que o próprio McCain.

O senador do Arizona introduziu-a na cena política nacional e a elogiou no discurso no qual aceitou sua derrota nas eleições desta terça-feira.

McCain a qualificou como "uma voz nova e impressionante em nosso partido em prol da reforma e dos princípios que sempre foram nossa maior fortaleza".

"Podemos esperar com grande interesse seu futuro serviço ao Alasca, o Partido Republicano e a nosso país", afirmou McCain.

Perguntada sobre suas aspirações em entrevista há poucas semanas, Palin disse que não tirará "a bandeira da derrota" pelas críticas que recebeu. "Não estou fazendo isto por nada", afirmou.

Hoje, evitou pronunciar-se sobre uma possível candidatura às próximas eleições presidenciais. O ano de "2012 soa tão distante que não posso nem imaginar que estarei fazendo então", disse Palin à "CNN".

Seu perfil político está muito vinculado à direita religiosa, que votou em McCain, em parte, graças a ela, mas esse bloco também traz inconvenientes.

"Cumprir as expectativas desse grupo é problemático, pois afasta os eleitores independentes", opinou John Green, analista do Centro Pew, um instituto independente.

"Alguns acham que seria recomendável reduzir sua influência, senão será difícil que os republicanos ganhem eleições", acrescentou.

Figuras moderadas como o ex-secretário de Estado Colin Powell e Christopher Shays, que perdeu sua cadeira no Congresso nas eleições, queixaram-se de que o partido deu uma guinada à direita.

Ao mesmo tempo, outros notáveis republicanos mantêm a opinião de que a derrota se deve à perda dos valores conservadores pelo gasto público excessivo durante a Presidência de Bush.

As pesquisas de boca-de-urna indicam que o problema dos republicanos não se deve à falta de líderes.

Embora Duncan mantenha que o país é majoritariamente de "centro-direita", o número de democratas cresceu a 39% do eleitorado, contra 33% dos republicanos.

Em comparação, nas eleições de 2004 os dois lados estavam empatados.

Além disso, Obama alcançou mais do que o dobro de votos de McCain entre os menores de 30 anos, que são o futuro do país, e entre os hispânicos, cuja influência aumenta a cada eleição, porque contam com uma taxa de crescimento mais alta que o resto da população.

Os republicanos parecem necessitar seriamente um novo Gingrich.

EFE cma/jp

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