Derretimento do gelo nos dois polos é mais rápido que o previsto, diz estudo

O gelo dos polos norte e sul está derretendo mais rápido que o previsto, provocando o aumento do nível dos mares e um agravamento do aquecimento global, advertiram cientistas nesta quarta-feira ao apresentar os resultados de um estudo aprofundado sobre o assunto.

AFP |


O estudo para o Ano Polar Internacional (API) 2007/2008, realizado por milhares de cientistas no terreno, revelou que o aquecimento na Antártida é "muito mais extenso que o previsto", que o gelo ártico está diminuindo e que o derretimento do domo de gelo da Groenlândia está se acelerando.

A subida do nível dos mares e as mudanças da temperatura de suas águas anunciam mudanças climáticas eventualmente marcadas por um aumento do número de inundações em áreas costeiras durante tempestades.

"Começamos a ver índices de mudanças nas correntes marinhas que teriam um impacto gravíssimo sobre o sistema climático mundial", declarou à imprensa o diretor do API, David Carlson.

As áreas geladas - frequentemente inacessíveis - das regiões polares são consideradas há muito tempo um dos barômetros mais confiáveis do aquecimento global, e influenciam as condições gerais dos oceanos e da atmosfera.

As águas oceânicas em torno da Antártida esquentaram mais rapidamente que a média mundial, de acordo com as primeiras conclusões do estudo apresentadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Conselho Internacional para a Ciência (CIS).

"A mensagem do API é clara: o que está acontecendo nas regiões polares tem consequências para o resto do mundo", destacaram a OMM e o CIS.

Além da aceleração do derretimento da cobertura de gelo do continente antártico e da Groenlândia, os cientistas confirmaram uma redução do gelo em volta do mar da Antártida, enquanto o do mar Ártico atingiu o nível mais baixo já registrado desde o início das observações por satélite.

O estudo se concentrou na erosão das coberturas de gelo na Antártica e na Groenlândia, pois elas constituem as maiores reservas mundiais de água doce.

Quando o estudo começou, há dois anos, estas coberturas de gelo eram consideradas estáveis, apesar de sinais preocupantes de derretimento em suas margens.

O estudo também mostra que o permafrost, as terras constantemente geladas, pode contribuir para a aceleração do processo de aquecimento global liberando gases com efeito estufa até então presos aos solos.

O permafrost encerra mais poços de carbono que o previsto, advertem os cientistas, que também descobriram que o aquecimento climático mundial provocou mudanças significativas na vegetação ártica que está cada vez mais verde. Os arbustos são mais numerosos que as extensões de erva, tornando-se cada vez mais altos.

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