Derretimento de geleiras deve acelerar erosão da meseta tibetana

O derretimento das geleiras em conseqüência do aquecimento global deve acelerar a erosão da meseta tibetana, pois aumentará os fluxos de água que cruzam o Himalaia, trazendo o risco de graves inundações, segundo estudo publicado nesta segunda-feira na revista Nature.

AFP |

Há 2,5 milhões de anos, o crescimento e derretimento das geleiras mudou profundamente a paisagem e influenciou o clima himalaio, principalmente na região onde o Yarlung Tsangpo, o curso alto do rio Brahmaputra no território chinês, se bifurca em direção ao sul antes de chegar à Índia.

Neste local, o rio perde cerca de 3.000 metros de altura em menos de 100 km.

"Na montanha, o rio corre por uma queda muito forte e a erosão é tão intensa que seria lógico que com o tempo houvesse uma incisão rio acima na meseta", explicou David Montgomery, co-autor do estudo, em um comunicado da Universidade de Washington. Mas não foi assim.

"Os avanços das geleiras durante a era quaternária parecem ter sido capazes de retardar substancialmente as incisões dos cursos d'água na região de Namche Barwa (sudeste do Tibete)", segundo o trabalho, que Montgomery publicou com Oliver Korup, do Instituto Federal Suíço de pesquisas sobre a floresta, a neve e a paisagem.

Ameaçada pela erosão, a margem da meseta tibetana parece ter "sido preservada durante milhares de anos pelo avanço do gelo e pelo barro das geleiras, depositado no local onde desembocam vários afluentes do Tsangpo durante os períodos mais quentes, quando as geleiras derreteram", explica o comunicado.

Se as geleiras hoje se reduzem, "as águas do degelo vão aumentar, o que deixará a erosão dos rios da região mais forte. É provável que se formem lagos naturais atrás das cordilheiras", disse Korup à AFP.

"Alguns destes lagos pode provocar inundações catastróficas, com rupturas de diques e graves conseqüências para as populações locais e que vivem rio abaixo", calcula o pesquisador, lembrando que algumas inundações na Índia causaram no passado rupturas de represas naturais no Tibete.

Mas, além da erosão, o relevo do Himalaia foi formado por potentes movimentos tectônicos, indicou Korup.

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