Londres, 8 mar (EFE).- Vários deputados do Reino Unido pediram hoje uma investigação judicial sobre o caso de um ex-detento da prisão americana de Guantánamo, em Cuba, que acusou os serviços secretos britânicos de cumplicidade nas torturas contra ele.

O etíope Binyam Mohammed, que foi libertado e voltou em fevereiro ao Reino Unido, onde tinha status legal de residente, reiterou suas acusações em entrevista publicada hoje pelo jornal "Mail on Sunday".

Mohammed foi detido em 2002 no Paquistão e, segundo ele, foi levado pela CIA (agência de inteligência americana) para uma prisão do Marrocos, onde diz que passou 18 meses e sofreu torturas encorajadas pela cumplicidade de agentes do MI5, o serviço de espionagem interna britânico.

Na entrevista ao jornal, o etíope, acusado então pelas autoridades dos EUA de envolvimento em um complô para detonar uma "bomba suja" nesse país, diz ter dois telegramas que provam suas acusações.

Os telegramas foram enviados pelo MI5 à CIA em novembro de 2002, afirma o ex-detido, de 30 anos, que diz ter obtido esses documentos durante o processo legal do qual participou para conseguir sua libertação de Guantánamo.

O Governo trabalhista está investigando o caso, mas os dois principais partidos da oposição, os conservadores e os liberal-democratas, reivindicaram hoje uma investigação judicial.

O porta-voz de justiça do Partido Conservador, Dominic Grieve, disse que essas "extremamente graves" acusações deveriam ser enviadas à Polícia.

"Se as provas forem suficientes para colocar um julgamento, então a Polícia deveria investigar", disse Grieve.

O porta-voz de exteriores do Partido Liberal-Democrata, Ed Davey, disse que o caso possui a "solidez" suficiente para abrir uma investigação judicial.

Nesse sentido, o deputado trabalhista Andrew Dismore, presidente do comitê conjunto de direitos humanos do Parlamento, disse que pedirá aos ministros do Interior e de Exteriores que expliquem como o Governo aplicou e supervisionou sua política contra a tortura.

Do Ministério de Assuntos Exteriores, um porta-voz ressaltou que o Governo "repudia a tortura e nunca a ordena ou perdoa".

"Levamos a sério as acusações sobre maus-tratos e as investigamos quando ocorrem", afirmou o porta-voz, ao acrescentar que o caso do etíope está nas mãos do procurador-geral do Estado, que deve elaborar um relatório. EFE pa/an

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