Harare, 25 ago (EFE).- Dois deputados da maioria opositora ao Governo no Parlamento do Zimbábue foram presos hoje, antes do início da sessão na qual deveriam assumir seus cargos, cinco meses depois das eleições realizadas no país.

Nelson Chamisa, porta-voz do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), liderado pelo líder opositor Morgan Tsvangirai, disse aos jornalistas que os dois deputados, Shuah Mudiwa e Eliah Jembere, foram detidos na entrada do Parlamento.

Na porta da Câmara, a Polícia tentou deter Elton Mangoma, deputado e um dos negociadores do MDC nas conversas com o Governo para formar um Executivo de união nacional, mas este foi ajudado por outros companheiros de partido que o impediram de ser levado.

Para Chamisa, "está claro que na agenda do regime" figura a tentativa de "mudar a atual situação na Assembléia" e impedir que (a oposição) tenha "maioria na escolha do Presidente da Câmara".

O opositor assegurou que a Polícia queria deter 15 de seus deputados para fazer com que o Governo passasse a ter maioria na escolha do presidente da Assembléia.

A escolha do presidente da Assembléia pode ser muito apertada, pois a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), o partido do presidente Robert Mugabe, tem 97 deputados, e o MDC, de Tsvangirai, tem 100, enquanto a facção minoritária do MDC liderada por Arthur Mutambara tem 10.

Segundo fontes dos partidos, a Zanu-PF poderia ter chegado a um acordo com Mutambara para apoiar seu candidato à Presidência da Câmara e tirar do cargo o grupo de Tsvangirai.

Os parlamentares do MDC foram à sessão de posse do Parlamento, apesar de a convocação da Câmara ser uma violação do memorando de entendimento assinado mês passado, que permitiu abrir negociações para formar um Governo de unidade, mas que ainda não deu resultado.

Para Tsvangirai, a Zanu-PF quer romper as negociações com a convocação da Câmara para designar um novo gabinete sem a oposição.

EFE sk/fh/gs

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