Deputados franceses propõem proibir uso de burka nos serviços públicos

PARIS - Uma comissão parlamentar apresentou nesta terça-feira à Assembleia Nacional um relatório recomendando a proibição parcial do uso de véus islâmicos para cobrir o rosto, banindo seu uso em todos os serviços públicos. A proibição também se referiria à burka, vestimenta que cobre todo o corpo cujo uso é tradicional no Afeganistão.

iG São Paulo |

O relatório de 200 páginas da comissão propõe uma "resolução parlamentar" sobre o uso do véu integral, recomendando a proibição de seu uso em locais como hospitais, escolas e transporte público, assim como serviços públicos e prédios do governo. Espera-se que depois do relatório seja elaborado um projeto de lei e ocorra um debate sobre a questão. A comissão não recomenda a proibição do uso do véu na rua.

AFP
Mulher veste o niqab em Lyon, leste da França

Mulher veste o niqab em Lyon

O documento também propõe que qualquer pessoa que mostre sinais visíveis de "prática religiosa radical" não obtenha visto de residência e cidadania.

O presidente da comissão parlamentar, o deputado André Gerin, havia adiantado na semana passada o conteúdo do relatório apresentado nesta terça-feira. Ele argumenta que cobrir o rosto dessa maneira "significa a negação da identidade, da personalidade".

Em sua opinião, a burka ou o niqab não são roupas para vestir, mas uma espécie de "mortalha".

Nos seis meses que a comissão parlamentar esteve investigando essa questão, constatou-se "que o problema é ainda mais grave do que se achava", disse.

Como exemplo, Gerin explicou que em certas empresas se implantaram normas sobre o véu islâmico. Em algumas escolas as meninas estão isentas de fazer ginástica e, nos hospitais, alguns homens que acompanham mulheres com véu exigem que elas sejam atendidas por enfermeiras ou médicas mulheres.

A polêmica sobre o uso do véu integral aumentou nos últimos meses, quando o presidente francês, Nicolas Sarkozy, reiterou que não há lugar na França para a burka "sob nenhum pretexto, em nenhuma condição e em nenhuma circunstância".

É um debate similar ao ocorrido em 2004 com relação ao véu islâmico e que desembocou em uma lei que proíbe o uso de qualquer sinal religioso nos lugares públicos, especialmente nas escolas.

*Com informações de EFE e BBC

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