Deputados do Reino Unido aprovam pesquisas médicas com embriões híbridos

Londres, 19 mai (EFE).- A Câmara dos Comuns do Reino Unido aprovou hoje a realização de pesquisas científicas com embriões híbridos, criados a partir de uma combinação de DNA humano e animal.

EFE |

Após mais de três horas de debate, os deputados rejeitaram, por 336 votos contra e 176 a favor, uma emenda do Partido Conservador que propunha a proibição total do uso deste tipo de embrião em pesquisas médicas.

A liberação do uso de embriões híbridos para fins terapêuticos se insere no projeto de lei de Embriologia e Fertilidade Humana, que atualmente tramita no Parlamento.

O texto, um dos carros-chefe do Governo trabalhista do primeiro-ministro Gordon Brown, tem como objetivo atualizar a atual legislação, de 1990, com os últimos avanços científicos.

Ainda hoje, por volta das 21h (18h de Brasília), os deputados votarão uma outra parte do projeto de lei, que se refere à seleção de embriões com características genéticas específicas para a criação dos chamados irmãos "salvadores", de cujos tecidos seriam obtidas células-tronco para o tratamento de doenças.

A proposta para o uso de embriões híbridos em pesquisas causou polêmica no Reino Unido, a ponto de Brown ter tido que liberar o voto de seus correligionários para evitar uma rebelião dentro do seu próprio partido.

Para vencer a resistência dos críticos, principalmente da Igreja Católica, o premiê pediu ontem aos deputados que apoiassem o projeto de lei por considerar que o texto supõe "um esforço intrinsecamente moral" que poderia salvar e melhorar a vida de milhares de pessoas.

A Igreja Católica do Reino Unido acusa a nova legislação de ser imoral, violar os direitos humanos e permitir aberrações.

Brown, cujo filho mais novo, Fraser, sofre de fibrose cística, uma doença genética, também alegou que o cultivo de células-tronco a partir de embriões híbridos é crucial para o desenvolvimento de tratamentos para enfermidades como o mal de Parkinson ou o Alzheimer.

Os cientistas também dizem que a criação de embriões híbridos com núcleos celulares humanos em óvulos animais esvaziados (que seriam utilizados para cultivar células-tronco e seriam destruídos após 14 dias, antes de virarem fetos) compensaria a atual escassez de doações de óvulos humanos. EFE jm/sc

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