Democrata que reconheceu ter mantido contatos online 'inapropriados' com seis mulheres foi pressionado a deixar o cargo

O congressista nova-iorquino Anthony D. Weiner renunciou nesta quinta-feira ao seu cargo parlamentar na Câmara de Representantes dos Estados Unidos após se envolver em um escândalo sexual pela divulgação de mensagens e fotos inapropriadas no Twitter.

Weiner anunciou sua renúncia na tarde desta quinta-feira, em Nova York
AP
Weiner anunciou sua renúncia na tarde desta quinta-feira, em Nova York
"Hoje anuncio minha renúncia como representante", disse Weiner, em pronunciamento de seu gabinete na cidade de Nova York. "Primeiro quero pedir perdão por todos os erros pessoais que cometi e pela vergonha que fiz meus vizinhos e eleitores passarem, mas especialmente a minha esposa Huma", assinalou Weiner, que após sua declaração não respondeu perguntas à imprensa.

Weiner, de 46 anos, colocou fim a uma carreira política que começou há quase 20 anos quando foi eleito para o conselho municipal de Nova York (1992-1998), embora antes tenha trabalhado desde 1985 como parte do gabinete do então representante e atual senador Chuck Schumer.

Judeu e casado há um ano com Huma Abedin, que é muçulmana e assistente da secretária de Estado Hillary Clinton, Weiner protagoniza o mais recente escândalo sexual envolvendo um político americano, depois de o ex-governador da Califórnia, o ator Arnold Schwarzenegger , admitir ter tido um filho fora de seu casamento, com uma empregada doméstica.

Ex-deputado pelo 9º distrito de Nova York, ele havia dito a amigos que planejava renunciar pela crescente pressão de colegas de seu partido para deixar a Câmara depois de suas lascivas trocas de mensagens online com mulheres.

A pressão para que Weiner deixasse a Câmara aumentou nos últimos dias, com importantes democratas da Casa, incluindo a líder do partido Nancy Pelosi, pronunciando-se publicamente no fim de semana para que ele poupasse a si mesmo, a sua família e seu partido de mais embaraços.

A pressão se intensificou ainda mais no início desta semana, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, sugeriu publicamente que ele deveria renunciar, e Pelosi disse que retiraria suas atribuições se não deixasse o cargo.

Ao mesmo tempo, a Comissão de Ética da Câmara dos Representantes abriu formalmente uma investigação sobre a conduta de Weiner, incluindo a troca de mensagens privadas com uma adolescente de Delaware. A investigação levantou a perspectiva de que ele enfrentaria acusações formais e sanções, incluindo expulsão. Mas com sua decisão de renunciar, espera-se que a investigação termine, já que a comissão só tem jurisdição sobre as ações dos membros do Congresso.

A polêmica sobre Weiner começou no fim de maio, quando apareceu em sua conta do Twitter uma foto de um homem com uma cueca cinza. Primeiramente Weiner negou que a tivesse postado, depois disse que sua conta havia sido hackeada e, mais tarde, quando surgiu uma segunda foto - mostrando um peito atlético, depilado e a parte do rosto do nariz para baixo -, confessou que as imagens eram dele. Ele também reconheceu que tinha mantido conversas "inapropriadas" com seis mulheres.

Foto sem data tirada do site BigGovernment.com supostamente mostra o deputado democrata Anthony Weiner sem camisa
AP
Foto sem data tirada do site BigGovernment.com supostamente mostra o deputado democrata Anthony Weiner sem camisa
Na quarta-feira, a ex-atriz pornô Ginger Lee, que garante ter conversado na internet com Weiner, afirmou que o político democrata lhe pediu há poucos dias que mentisse sobre sua relação . "Quando explodiu o escândalo, e as pessoas começaram a me mandar e-mails, não soube o que fazer. Então escrevi para Anthony Weiner, que me pediu para mentir sobre nossas conversas", afirmou Ginger Lee em comunicado.

A atriz disse que o congressista deveria renunciar porque mentiu ao povo e à imprensa "por mais de uma semana". A representante da atriz afirmou que o congressista e sua cliente chegaram a trocar uma centena de e-mails desde março, com os contatos tendo sido suspensos há duas semanas.

*Com New York Times e EFE

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