Um político está causando polêmica na Áustria por ter servido de cobaia em um teste de arma de eletrochoque diante de câmeras de TV.

O deputado do partido austríaco de direita FPÖ, Harald Vilimsky, queria provar que a arma, conhecida como taser, seria uma boa opção para ser usada por guardas em prisões e que não causaria danos à saúde.

Vilimsky permitiu que fosse atingido por uma carga de 50 mil volts da arma, disparada por dois agentes penitenciários, em um experimento filmado e divulgado pelo jornal austríaco Kurier.


Deputado serviu de cobaia para arma de eletrochoque / Reprodução

O governo austríaco proibiu há pouco tempo o uso do aparelho em penitenciárias.

Se pode ser usado em um deputado, pode também ser empregado em um presidiário violento, afirmou o político, que pertence à mesma agremiação que já teve como sua principal estrela o populista de direita Jörg Haider, morto em outubro.

O taser é uma arma usada por policiais de alguns países que paralisa a vítima por meio de um choque elétrico.

Seu emprego, entretanto, é controverso. Organizações de direitos humanos são contra o uso indiscriminado do equipamento, apontando para estatísticas que indicam mortes ou sérios danos à saúde de centenas de vítimas do aparelho.

'Experiência mais forte'

No vídeo, dois policiais seguram o deputado, que usa óculos de proteção. Após o disparo, ele solta gritos de dor e cai imobilizado, sendo apoiado pelos guardas, que o mantém ainda por alguns segundos deitado sobre um tapete.

Após a sessão, o político admitiu ter sentido um pouco mais de dor do que havia imaginado antes. Mas, depois de cinco segundos, passou, ressalvou Vilimsky.

Um repórter do Kurier serviu como uma segunda cobaia para o teste. Foi uma das experiências mais fortes que tive na vida, disse o jornalista, ainda caído no chão.

O teste causou irritação até mesmo em políticos conservadores.
O integrante do partido de extrema-direita BZÖ, Peter Westenthaler, classificou o ato como repulsivo, enquanto Peter Pilz, do Partido Verde, chamou a experiência de ridícula, em entrevista ao Kurier.

A participação dos dois agentes penitenciários poderá trazer conseqüências para os policiais, já que eles não pediram autorização antes de aceitar o convite para participar do teste, organizado pelo deputado.

Eles não foram autorizados para o ato. Se foi algo para diversão privada, serão cogitadas conseqüências, afirmou Elmar Pichl, porta-voz do Ministério da Justiça austríaco.

O que aconteceria se alguém se ferisse na presença dos policiais?", completou.

Mortes

Embora as armas de choque elétrico sejam consideradas não-letais, existem estatísticas comprovando casos de óbitos no Canadá e EUA.

De acordo com dados da Anistia Internacional, entre 2002 e 2007 foram registradas cerca de 300 mortes nestes dois países em decorrência da utilização dos chamados tasers.

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