Deportação de Nobel da Paz por Israel gera polêmica

Expulsão da ativista norte-irlandesa pró-palestinos Mairead Maguire levou a opiniões contra e a favor da Justiça israelense

iG São Paulo |

A deportação da Nobel da Paz Mairead Maguire, 66 anos, decretada pela Justiça israelense gerou polêmica e vozes contra e a favor da ativista norte-irlandesa.

Nesta terça-feira, a outra ganhadora do Nobel da Paz Jody Williams - que também participa da delegação de mulheres pacifistas da qual Mairead faz parte - protestou contra a decisão da Suprema Corte israelense.

"O que mais me surpreende é que as autoridades israelenses estão questionando a integridade pessoal de Maguire", afirmou Josy, em um comunicado divulgado para a imprensa. "A vida dela é dedicada à defesa de principios morais profundos e, de fato, ela veio a Israel para ouvir mulheres que trabalham pela paz por meios não violentos", disse.

Ela acrescentou ainda que a ativista não constitui um risco para a segurança de Israel e a aitivista "veio para apoiar pessoas dos dois lados do conflito".

O colunista do jornal Haaretz Gideon Levy também se colocou a favor da ativista e protestou contra a maneira como a prêmio Nobel da Paz foi tratada pelas autoridades israelenses.

"Esse é o verdadeiro retrato de Israel hoje em dia... é assim que tratamos aqueles que defendem a não violência", afirmou Levy.

Já o jornalista Ben Dror Yemini, do jornal Maariv, apoiou a expulsão de Maguire. Em um artigo divulgado pelo departamento de imprensa do governo israelense, Yemini afirmou que a ativista estava a bordo de "barcos de ódio para apoiar o Hamas, com um disfarce de ativista pacifista".

Yemini acusou a Nobel da Paz de fazer parte de um "rebanho de antissemitas que se disfarçam de antissionistas e têm a obsessão de demonizar e deslegitimar Israel".

Não é a primeira vez que as autoridades israelenses expulsam estrangeiros que criticam a atitude de Israel em relação aos palestinos. Em maio deste ano, o linguista de renome internacional Noam Chomsky foi expulso quando tentou entrar na Cisjordânia para fazer uma palestra na universidade palestina de Bir Zeit.

Histórico

Mairead, que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1976 por seus esforços pela paz na Irlanda, chegou a Israel no dia 28 de setembro mas teve sua entrada no país negada pelas autoridades no aeroporto.

Ela afirmou que fazia parte de uma delegação de mulheres pacifistas e que iria se encontrar com mulheres israelenses e palestinas que trabalham pela paz no Oriente Médio. A ativista irlandesa se negou a deixar o país e dirigiu um apelo à Suprema Corte de Justiça de Israel para que permitisse sua entrada.

Na segunda-feira, a Suprema Corte rejeitou o apelo de Maguire, afirmando que "ela sabia que não poderia entrar em Israel e que sua chegada não foi feita de boa fé". Além disso, os juízes criticaram o comportamento da vencedora do prêmio Nobel por não ter recorrido antes de fazer a viagem aos mecanismos legais que tem a disposição para conseguir que a ordem fosse cancelada, e que consiste em apelar ao Ministério do Interior.

De acordo com porta-vozes oficiais de Israel, a razão para o impedimento da entrada de Maguire foi sua participação, em junho, no ato de protesto contra o bloqueio israelense à Faixa de Gaza do barco Rachel Corrie. O barco foi interceptado pela Marinha israelense e Maguire, que estava a bordo, foi presa e deportada.

Segundo as autoridades israelenses, no momento daquela deportação a ativista havia sido informada de que entradas futuras em Israel estariam proibidas. Ela afirma, no entanto, que autoridades israelenses lhe disseram que seria "repatriada", mas não proibiriam entradas futuras no país.

*Com AFP e BBC

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