Depois do Iraque, Bush chega ao Afeganistão para visita surpresa

Depois de uma viagem de despedida ao Iraque, o presidente George W. Bush desembarcou no Afeganistão na madrugada desta segunda-feira para uma visita surpresa na qual confirmou o apoio americano ao presidente Hamid Karzai e destacou que a luta será longa.

Redação com agências internacionais |

"Quero estar no Afeganistão para dizer 'obrigado' ao presidente Karzai, para fazer o povo afegão saber que os Estados Unidos estão por trás deles e que assim permanecerão", declarou Bush a bordo do avião presidencial.

O presidente assegurou hoje que o Afeganistão experimentou um "progresso indubitável" e que as condições nas quais o país asiático está são "inquestionavelmente melhores" desde a chegada das tropas internacionais em 2001.

"O povo afegão e eu mesmo estamos orgulhosos e nos sentimos honrados", declarou Karzai ao receber, em Cabul, Bush, antes de afirmar que tentava levar o presidente americano ao país há muito tempo.


Presidente dos EUA visita o Afeganistão de surpresa / AP

O Air Force One pousou no escuro e com quase todas as luzes apagadas na base aérea de Baghram, onde foi recebido pelo general David McKiernan, comandante das forças internacionais no Afeganistão. O presidente discursou às tropas antes de seguir para Cabul.

"Estas nações devem saber que os Estados Unidos estiveram, estão e estarão a seu lado", declarou Bush, antes de ressaltar que "o nível de dificuldade no Afeganistão é elevado. O país é muito maior e mais pobre que o Iraque. No entanto, esta missão é essencial".

Bush disse ainda que Washington e Islamabad trabalham de forma coordenada para acabar com os ataques no Afeganistão executados a partir do Paquistão.

Ele disse ainda que o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, se declarou "determinado" a ajudar, tanto em um encontro público como em particular.

Visita final ao Iraque

Bush chegou ao Afeganistão procedente do Iraque, onde fez uma visita de despedida às autoridades iraquianas, cinco semanas antes de deixar a Casa Branca, onde será sucedido pelo democrata Barack Obama.

Em Bagdá, o presidente americano afirmou no domingo que a guerra no Iraque ainda não terminou, mas a vitória está próxima. Bush assinou de maneira simbólica o acordo de segurança entre os dois países com o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki.

O presidente americano voltou a justificar a invasão americana, em março de 2003, que derrubou o ditador Saddam Hussein, mas também provocou o caos no país.

"A tarefa não foi fácil, mas era necessária para a segurança americana, a esperança dos iraquianos e a paz no mundo", declarou Bush depois de uma reunião com seu colega iraquiano, Jalal Talabani. "Estou feliz de ter tido a oportunidade de voltar ao Iraque antes do fim da minha presidência", acrescentou.

O ataque com sapato

No entanto, a visita ao Iraque foi marcada pelo fato de um jornalista iraquiano ter jogado os sapatos contra Bush no momento em que ele apertava as mãos de Al-Maliki.

Quando os dois governantes se encontravam no gabinete privado do premier Nuri al-Maliki, um jornalista iraquiano que estava sentado na terceira fila se levantou e gritou "É o beijo de despedida, seu cachorro", antes de jogar os sapatos na direção de Bush.

O presidente americano conseguiu desviar a tempo e não foi atingido.

O jornalista iraquiano Mountazer al-Zaïdi, do canal sunita e antiamericano Al-Bagdadia, cuja base de transmissão é no Cairo, foi retirado à força pelos agentes do serviço de segurança do Iraque e dos EUA, aos gritos de "você (Bush) é responsável pela morte de milhares de iraquianos".

Mostrar a sola dos sapatos é considerado um dos piores insultos na cultura árabe. Em abril de 2003, depois que a estátua de Saddam Hussein foi derrubada, em Bagdá, várias pessoas bateram no rosto do monumento com seus sapatos.

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