Depois de Gustav e Fay, Haiti é devastado pelo furacão Hanna

Oito dias depois do arrasador Gustav e duas semanas depois da mortífera tempestade Fay, o Haiti era novamente devastado nesta terça-feira pelo furacão Hanna, que deixou pelo menos dez mortos em graves inundações.

AFP |

O distrito de Gonaives, de cerca de 300.000 habitantes, acordou sob as águas na manhã desta terça-feira, depois das chuvas torrenciais que caíram na véspera durante a passagem do furacão Hanna. Há quatro anos, a tempestade tropical Jeanne deixou 3.000 mortos na região.

"Vi uma dezena de corpos boiando nas ruas inundadas na cidade", declarou o delegado de polícia Ernst Dorfeuille. "É impossível circular na cidade, pois todos os bairros estão alagados", afirmou ele à AFP.

"A água está em todas as partes. Em algumas áreas da cidade, ela subiu a mais de dois metros", frisou por telefone o prefeito da cidade, Stephen Moise, que declarou Gonaives "em estado de extrema emergência".

Na cidade localizada 152 km ao norte de Porto Príncipe, o nível das águas ultrapassou algumas casas e começava a atingir os tetos, onde se refugiaram vários moradores, enquanto a chuva continuava caindo.

"Deve haver muitas vítimas, mas ainda não podemos estabelecer um balanço", explicou Edson Mondelus, jornalista da emissora Radio Etincelle em Gonaives.

"É preciso fazer alguma coisa rapidamente", implorou um padre, bloqueado no segundo andar da paróquia. "Não sei por quanto tempo sobreviveremos. Se tivermos que passar outra noite nessas condições, não haverá muitos sobreviventes", disse à AFP o padre Germain Michelet.

"Estamos presos, todo mundo está preso. Ninguém pode ajudar ninguém. Tudo está coberto pelas águas", alertou, visivelmente em pânico.

O principal hospital de Gonaives está inundado, segundo um médico. "Os doentes estão reunidos em uma única sala. A situação é crítica", lamentou.

O ministro do Interior do Haiti, Paul-Antoine Bien-Aimé, foi a Gonaives, onde a missão da ONU no Haiti enviou reforços. No entanto, "devido às péssimas condições meteorológicas, nossos helicópteros não podem decolar, e os caminhões e os blindados não podem circular", frisou a porta-voz da missão, Sophie Boutaud de la Combe.

Ainda traumatizados pela tempestade tropical Jeanne, que arrasou a região há quatro anos, os moradores de Gonaives vivem no temor de que esta tragédia se repita. "A situação é crítica hoje, e pode ser comparada ao que aconteceu há quatro anos", avisou o prefeito.

Há oito dias, o furacão Gustav deixou 77 mortos em sua passagem pelo Haiti. A tempestade Fay, por sua vez, provocou a morte de cerca de 40 pessoas há duas semanas.

Hanna era um furacão de categoria 1 quando passou pelo Haiti, o país mais pobre das Américas com 70% da população vivendo abaixo da linha de pobreza, mas foi rebaixado para tempestade tropical na manhã desta terça-feira ao se dirigir para Bahamas. No entanto, Hanna ainda pode ganhar força quarta ou quinta-feira antes de atingir as costas americanas, sexta ou sábado, segundo o Centro Nacional dos Furacões, com sede em Miami (Flórida, sudeste dos EUA).

Outras duas tempestades tropicais, Ike e Josephine, se formaram no Atlântico e podem se tornar furacões quarta ou quinta-feira.

cre/yw

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