Depois de golpe, Mauritânia vai às urnas para resgatar democracia

Nuakchott, 17 jul (EFE).- Os cidadãos da Mauritânia vão às urnas amanhã no primeiro turno de eleições presidenciais que têm como objetivo recolocar o país no caminho da democracia, um ano depois de um golpe de Estado ter acabado com o mandato de Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdalahi.

EFE |

Em 6 de agosto, o levante liderado pelo então chefe da Guarda Presidencial, Mohammed Ould Abdelaziz, pôs fim ao breve Governo de Abdalahi, que tinha vencido o primeiro pleito democrático realizado do país, em 2007.

Apesar de o golpe ter sido violento, e de ter contado com um grande apoio tanto de políticos como da sociedade civil, a Mauritânia se envolveu em uma profunda crise política que, em teoria, as próximas eleições deveriam encerrar.

A Junta Militar de Abdelaziz cumpriu a promessa que fez de restaurar a democracia no país após o levante, embora para isso tenha feito falta a mediação dos principais organismos internacionais e a participação do presidente senegalês, Abdoulaye Wade.

Os contínuos protestos nas ruas, que em algumas vezes foram reprimidos com violência pelas forças de segurança, evidenciaram a existência de um conflito que dividia a sociedade.

Até renunciar à condição de chefe da Junta Militar em abril último para apresentar sua candidatura, o general Abdelaziz conduziu o país com pulso firme e aproveitou seu cargo para se empenhar em uma campanha eleitoral populista que antecipava sua aspiração de chegar à Presidência.

Apesar de as eleições terem sido agendadas - de forma unilateral - inicialmente para 6 de junho, a pressão dos contrários ao golpe - capitaneados pelo presidente do Parlamento, Mesaud Ould Buljeir, e o líder da bancada parlamentar de oposição, Ahmed Ould Dadah - forçou Abdelaziz a adiar o pleito.

A oposição tinha anunciado boicote às eleições, o que teria deixado a mais que previsível vitória de Abdelaziz em situação embaraçosa, na ausência de uma verdadeira legitimação popular.

No entanto, os esforços em negociações lideradas por Wade, com colaboração dos principais organismos internacionais, culminaram em um acordo assinado em 2 de junho, quatro dias antes das eleições previstas.

Graças a esse pacto, foi fixada uma nova data para as eleições - cujo primeiro turno ocorrerá amanhã e o segundo, caso seja necessário, em 1º de agosto -, que contarão ainda com participação de todos os partidos mauritanos.

Além disso, foi definida a criação de um Governo interino de unidade nacional, com inclusão dos principais grupos envolvidos na crise, e também a formação de uma comissão eleitoral independente, também integrada por representantes dos diferentes blocos políticos.

Mas o acordo de última hora não deixa para trás as dificuldades para a consolidação da jovem democracia mauritana, que, até o golpe de Estado de Abdelaziz, tinha se transformado em um dos poucos modelos democráticos reais no mundo árabe.

Independente desde 1960, a Mauritânia tem uma longa tradição de golpes militares, embora nos últimos quatro anos tenha passado por duas tentativas de instauração da democracia.

Em 3 de agosto de 2005, um grupo de militares liderado por Ely Ould Mohammed Vall, então chefe da Polícia Nacional e hoje candidato nas eleições, depôs o Governo do presidente Maaouya Ould Sid'Ahmed Taya, que tinha dirigido o país desde 1984.

Vall honrou sua promessa de convocar eleições democráticas e, em um período de 18 meses, a Mauritânia realizou suas primeiras eleições livres, com vitória de Abdalahi, candidato aprovado pela Junta Militar.

O golpe de Abdelaziz em agosto do ano passado voltou a colocar em xeque a experiência democrática do país, que, de novo, tentará ganhar novo impulso com as eleições de amanhã. EFE mo/fr

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