Depois de conflito religioso, ministro egípcio alerta para 'mãos de ferro' do governo

Choques entre cristãos e muçulmanos deixaram ao menos 12 mortos e cerca de 200 feridos na capital Cairo

iG São Paulo |

O ministro da Justiça do Egito, Abdel Aziz al-Gindi, alertou os envolvidos em conflitos religiosos que aqueles que ameaçarem a segurança do país irão enfrentar "mãos de ferro", ao falar da disposição das autoridades em repreender. 

As autoridades “vão atacar com mão de ferro todos os que buscam mexer com a segurança da nação”, disse Gindi. "A mão do governo não está tremendo. O governo não é fraco", alertou o ministro.

A declaração do ministro foi feita depois de conflitos religiosos entre muçulmanos e cristãos terem deixado 12 mortos e cerca de 200 feridos no Cairo. Foram presas também 190 pessoas que, segundo as forças egípcias, enfrentarão julgamento em tribunal militar.

Os conflitos levaram o primeiro-ministro do Egito, Essam Sharaf, a convocar uma reunião de emergência do gabinete de governo. Segundo a imprensa estatal do país, Sharaf adiou uma viagem ao Bahrein e Emirados Árabes Unidos para discutir a violência religiosa no bairro de Imbaba.

AFP
Bombeiros apagam o fogo em uma igreja no Cairo após confronto entre muçulmanos conservadores e cristãos

Os confrontos começaram depois que centenas de muçulmanos conservadores se reuniram em uma igreja alegando que uma mulher cristã que se converteu ao islamismo estava sendo mantida contra a vontade dentro da igreja.

Segundo a agência Mena, a mulher teria se casado com um muçulmano e queria se converter ao islamismo. O que teria começado como uma discussão entre manifestantes, seguranças da igreja e moradores das proximidades evoluiu para um confronto envolvendo armas, bombas e pedras. Duas igrejas e algumas casas do bairro foram incendiadas e foram necessárias algumas horas para que os serviços de emergência e militares controlassem a situação.

Segundo o correspondente da BBC no Cairo Jonathan Head, a ocorrência de outro episódio grave de violência em uma comunidade, enquanto o governo militar lidera um processo de transição hesitante, é mais um motivo de preocupação para o Egito.

Movimento salafista

Testemunhas afirmaram que centenas de muçulmanos integrantes do movimento salafista se reuniram na Igreja Copta de Santa Mena, no bairro populoso de Imbaba, na noite de sábado. Eles protestavam contra a alegação de que uma mulher cristã estava sendo mantida presa na igreja. No entanto, uma pessoa que estava no local, um blogueiro chamado Mahmoud, disse à BBC que as pessoas que viram o início da violência afirmaram que os que começaram o confronto pareciam "bandidos comuns" em vez  de salafistas.

O blogueiro testemunhou o incêndio em uma segunda igreja e ajudou os bombeiros a apagar as chamas. O grupo salafista, que adotou uma postura mais expressiva desde que Hosni Mubarak deixou a Presidência em fevereiro, já fez outras denúncias de mulheres sendo mantidas contra a vontade dentro de igrejas.

Em março 13 pessoas morreram em confrontos semelhantes em outro bairro. Em abril, manifestantes na cidade de Qena, sul do Egito, cortaram os transportes para o Cairo durante uma semana em protesto contra a indicação de um governador cristão para a região.

Cerca de 10% da população do Egito é formada por coptas. A maioria é de muçulmanos. De acordo com o correspondente da BBC, a minoria cristã agora teme pela própria segurança caso os muçulmanos conservadores consigam bons resultados nas eleições, marcadas para setembro.

AP
Forças Armadas egípcias tentam conter choques religiosos na capital Cairo

*Com BBC e AP

    Leia tudo sobre: egitoviolênciacairoconfrontocristãosmuçulmanos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG