Nacho Temiño. Varsóvia, 1 dez (EFE) - A conferência da ONU para a mudança climática, uma reunião fundamental para acordar um texto que substitua o Protocolo de Kioto, começa esta semana na Polônia, um dos países mais dependentes do carvão e um dos 20 que lança mais dióxido de carbono à atmosfera. Somos otimistas e esperamos que, graças a esta conferência, a política energética de nosso país mude e haja uma redução do uso do carvão. Esta é a responsabilidade do Governo polonês como organizador da assembléia, disse à Agência Efe Magdalena Zowsik, responsável de energias do Greenpeace na Polônia.

Não é nenhum exagero falar de dependência do carvão no caso da Polônia, pois 93% da energia do país são obtidos deste mineral, o combustível mais poluente e o maior emissor de gases do efeito estufa, associado ao desenvolvimento industrial do século XIX e engrenagem fundamental da atual economia polonesa.

Este "amor" desenfreado da Polônia pelo carvão, uma paixão que compartilha com Austrália, China e África do Sul, situa o país europeu entre os 20 que mais produzem CO2, apesar de contar com uma população que não chega a 40 milhões de habitantes e uma indústria que não se destaca por seu desenvolvimento.

"Nossos governantes nunca se preocuparam com o meio ambiente", lamenta Zowsik, que lembra que o Executivo polonês autorizou este ano a abertura de uma nova mina de carvão ao ar livre nos limites de um parque natural no oeste do país.

Para os ambientalistas, isso terá conseqüências terríveis à flora, à fauna e aos habitantes da região.

Além disso, a Polônia lidera um grupo de nações do Leste Europeu que pede modificações no acordo europeu de luta contra a mudança climática, ao considerar que este pode frear seu crescimento econômico em um momento de crise financeira global e aumentar sua dependência energética da vizinha Rússia.

O polêmico plano europeu pretende reduzir as emissões de CO2 até os níveis existentes em 1990, o que afetará especialmente os setores energéticos fortemente dependentes do carvão.

Para Grzegorz Wisniewski, diretor do Instituto de Energias Renováveis (IEO), os políticos terão que chegar a um consenso de que "produzir eletricidade empregando energias renováveis será menos caro do que através do carvão".

Segundo ele, isso "permitirá à Polônia beneficiar-se da venda de suas cotas de CO2 não utilizadas, energias verdes, biocombustível e tecnologia".

No entanto, outros especialistas sustentam que o país ainda não está preparado para dar o salto para as energias renováveis, já que, por enquanto, seria impossível satisfazer a demanda gerada por sua rápida ascensão econômica.

A realidade é que a Polônia conta com 100 vezes menos aerogeradores que a vizinha Alemanha, apesar de ter condições geográficas similares, e o Governo polonês estuda desenvolver uma usina nuclear em conjunto com a Lituânia, dentro de uma estratégia energética a longo prazo.

Desta forma, os delegados dos mais de 190 países que estarão presentes em Poznan terão que trabalhar para superar o CO2 das centrais de carvão polonesas e, o mais importante, a temível crise financeira, que ameaça reduzir os recursos para a luta contra a mudança climática.

Em Poznan, os representantes desses países terão que chegar a um consenso sobre o assunto antes da conferência de Copenhague no ano que vem, o encontro definitivo no qual deveria-se estabelecer um plano efetivo que substitua o Protocolo de Kioto e sirva para reduzir a emissão de CO2 e lutar contra o aquecimento global.

A ONU pede otimismo em relação ao tema e o secretário-geral da Convenção da ONU para a Mudança Climática (UNFCCC), Yvo de Boer, afirma que a crise econômica é uma oportunidade para que os países se esforcem mais na luta contra o aquecimento global. EFE nt/ab/db

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