Denver acorda fortificada para evitar incidentes na convenção democrata

Paco G. Paz Denver (EUA), 25 ago (EFE) - A cidade de Denver, que nasceu durante a chamada Febre do Ouro, no século XIX, amanheceu hoje com fortes medidas de segurança para evitar que a Convenção Nacional do Partido Democrata seja afetada por incidentes.

EFE |

Apesar de seu passado aventureiro e turbulento, Denver é hoje uma cidade aprazível, de ruas largas e edifícios modernos, com um centro histórico que remete a suas origens 150 anos atrás.

As autoridades acreditam que a realização da convenção, que começa hoje, provoque uma forte injeção de recursos na economia local, cerca de US$ 160 milhões, segundo cálculos do Escritório de Turismo de Denver.

De fato, os cerca de 40 mil leitos dos hotéis da cidade estão totalmente ocupados, e o comércio e os restaurantes esperam uma reativação da economia graças ao consumo dos aproximadamente 50 mil visitantes esperados, entre delegados, assistentes e jornalistas.

A principal preocupação das autoridades da cidade é o controle das concentrações e manifestações convocadas para esta semana por organizações antibelicistas e contra o aborto, e que até o momento têm transcorrido sem problemas.

Aproximadamente quatro mil policiais estão desdobrados ao redor do centro histórico de Denver, situada ao pé das Montanhas Rochosas e onde vivem aproximadamente 500 mil habitantes.

As autoridades ainda se lembram da convenção do Partido Republicano que aconteceu em Nova York há quatro anos, quando a invasão ao Iraque era recente, o que provocou grandes manifestações e protestos na cidade.

O excesso de zelo da Polícia de Nova York fez com que milhares de pessoas fossem detidas em apenas quatro dias, o que desencadeou uma onda de processos judiciais que ainda não foram resolvidos.

Além disso, apesar de se chegar a comparar a importância da convenção de Denver com a que aconteceu em Chicago em 1968, as autoridades não querem a repetição dos violentos incidentes daquele evento, marcado pela Guerra do Vietnã.

Por isso, Denver elaborou um complexo plano de segurança com auxílio de 55 agências do Governo, inclusive do FBI (polícia federal americana) e dos serviços de inteligência militar. As medidas, já levaram grupos de grupos de defesa das liberdades civis a protestarem.

O principal motivo de reclamação foi a construção de um grande centro de detenções nas instalações de um armazém da cidade e que já foi batizado pelos ativistas de Guantánamo de Denver.

Estas instalações, com câmeras de segurança instaladas do lado de fora e celas com grades no interior, servirão para levar os manifestantes caso aconteçam detenções em massa em eventuais distúrbios.

"Achamos que a cidade deveria sentir vergonha de contar com esta prisão secreta", disse à imprensa Glen Spagnuolo, co-fundador da Recreate 68, organização que pretende recuperar as mudanças sociais e políticas inspiradas em 1968, e que se transformou na mais ativa convocação de protestos em torno da convenção.

Atualmente, a Recreate 68 tem convocadas para hoje três passeatas diferentes pela liberdade, pela excarceração dos presos políticos e pelo anticapitalismo.

A Polícia de Denver distribuiu folhetos entre as organizações em que lembra que eles têm o direito de organizar protestos e manifestações, mas que também podem ser detidos se descumprirem a lei ou se recusarem a obedecer as autoridades.

"Nós também temos um folheto, que se chama Constituição, e muitos de nós lemos", disse Spagnuolo. EFE pgp/wr/rr

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