O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira em Astana, no Cazaquistão, estar preocupado com o que classificou de política de denuncismo no Brasil, referindo-se à mais recente polêmica envolvendo o Senado, acusado de nepotismo e de outras irregularidades. Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias porque ele não tem fim e depois não acontece nada, disse o presidente antes de embarcar para Brasília.

"Não li a reportagem do presidente (do Senado, José) Sarney, mas eu penso que o Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum", disse.

O presidente afirmou ainda que "a história precisa ser melhor explicada" e defendeu que sejam feitas investigações que chamou de corretas.

"É importante investigar para ver o que houve. O que ganharia o Senado com uma contratação secreta se tem mais de 5 mil funcionários transitando naqueles corredores? Essa história precisa ser melhor explicada", disse.

"Eu não sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo no Brasil, mas a democracia quando teve um Congresso Nacional desmoralizado e fechado foi muito pior para o Brasil. Portanto, é importante a gente ver como fazer a preservação das instituições. Separar o joio do trigo e, se tiver alguma coisa errada, que se faça uma investigação correta."
"O que não pode é todo dia você arrumar uma vírgula a mais (...), desmoralizando todo mundo, cansando todo mundo, e inclusive a imprensa corre risco. Não pode ser desacreditada", declarou.

O presidente brasileiro parte nesta quarta-feira para Brasília depois de uma viagem com paradas em Genebra, na Suíça, e Ecaterimburgo, na Rússia.

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