Denúncias de abusos sexuais de crianças cometidos por mulheres aumentam na Grã-Bretanha

Uma entidade britânica responsável por uma linha telefônica que atende crianças no país diz que houve um grande aumento no número de vítimas telefonando para denunciar abuso sexual cometidos por mulheres. A entidade beneficente disse que nos últimos cinco anos o número de denúncias envolvendo mulheres subiu cinco vezes mais rápido do que o número de denúncias de abuso cometido por homens.

BBC Brasil |

Entre as 16.094 crianças que telefonaram para a Childline para falar de abuso sexual no ano passado, 2.142 denunciaram abuso cometido por mulheres, um aumento de 132% em relação aos índices de 2004.

Denúncias de abuso cometido por homens aumentaram 27% no mesmo período.

Os homens ainda respondem pela maioria dos casos de abuso sexual, mas a National Society for the Prevention of Cruelty to Children (NSPCC) - entidade que trabalha para prevenir a crueldade contra a criança - disse que quando o abuso é cometido por mulheres, tende a não ser denunciado.

Isso aconteceria em consequência de uma relutância, ou falta de vontade, por parte das vítimas e dos profissionais da área, de admitir ou identificar o abuso sexual por parte da mulher.

Recentemente, na Grã-Bretanha, houve grande comoção em torno do caso da funcionária de um creche, Vanessa George, que abusou de crianças que estavam aos seus cuidados.

George era membro de um grupo de pedófilos que se conheceram pela internet e que incluía uma outra mulher.

Mães
O relatório da Childline não sugere que o número de crimes sexuais cometidos por mulheres esteja aumentando.

Segundo a entidade, mais meninos estão usando a linha telefônica, por isso, mais casos estão sendo denunciados.

O documento revelou que quase dois terços das ligações falando de abuso sexual por mulheres envolveram a mãe da criança.

Entre as denúncias de abuso sexual cometidos por homens, 45% envolveram o pai da criança.

Os números também revelam que 42% mais crianças procuraram a Childline em 2008-2009 do que em 2004-2005.

A diretora da Childline, Sue Minto, disse: "A maioria das ligações de abuso sexual vêm de meninas dizendo que sofreram abuso por homens".

"Mas um número cada vez maior daqueles que telefonam hoje em dia dizem que foram abusados por uma mulher", disse Minto. "Isso talvez aconteça, em parte, porque mais meninos estão telefonando para nós do que antes".

"Para muitos, é chocante a ideia de que uma mulher - e mãe - possa abusar sexualmente de uma criança. Mas elas o fazem".

'Estigma'
A pesquisadora Lisa Bunting, da NSPCC, estudou esse assunto.

"Existe um estigma muito forte quando se trata de falar de abuso sexual cometido por mulheres".

"Existe estigma em relação a qualquer tipo de abuso sexual, mas ele é particularmente forte quando há a participação de mulheres".

Segundo Bunting, isso leva a vítima a "internalizar" o abuso porque ela não consegue acreditar que aconteceu e não acha que outras pessoas acreditariam se ela falasse sobre o assunto.

"Se você não acha que mulheres são capazes de cometer ofensas sexuais, você nunca vai procurar por isso".

O relatório da Childline disse que a questão do abuso sexual pela mulher não está coberta de forma apropriada em políticas de proteção à criança.

A entidade recomenda que o assunto seja melhor estudado e que haja campanhas para esclarecer a população sobre o problema.

Isso, por sua vez, vai encorajar mais denúncias, diz a Childline.

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