A Federação Internacional de Ligas de Direitos Humanos (FIDH) denunciou neste sábado graves violações em massa dos direitos humanos no leste da República Democrática do Congo (RDC) sobre as quais a Corte Penal Internacional (CPI) deveria investigar publicamente.

Os confrontos, na província de Kivu Norte (leste da RDC) desde o final de agosto entre os rebeldes de Laurent Nkunda e o exército congolês "estão acompanhados desses crimes", afirmou a FIDH em comunicado recebido em Kinshasa.

Segundo a nota, desertores do exército "estariam realizando saques, execuções sumárias e violações contra as populações civis" em Goma, a capital de Kivu Norte, e seus arredores.

Rebeldes de Nkunda também estariam cometendo atos de violência "nos territórios sob seu controle, como saques nos campos de deslocados de Kibati e Rutshuru", situados ao norte de Goma.

A CPI é o primeiro tribunal permanente encarregado de julgar os autores de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra e já abriu duas investigações sobre a RDC.

Já o instituto de análises de conflitos International Crisis Group (ICG) pediu neste sábado que se nomeie um enviado especial da ONU para o leste da RDC, para a aplicação da declaração de Nairóbi (novembro de 2007) e do acordo de Goma (janeiro de 2008), que "representam a base para resolver a atual crise".

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, os conflitos entre forças rebeldes e o exército na República Democrática do Congo causaram uma catástrofe humanitária no país.

Assassinatos e estupros são uma constante e a ajuda humanitária não chega aos desabrigados.

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a prioridade agora é fornecer comida, remédios, abrigo e alguma forma de segurança aos civis que foram forçados a deixar suas casas.

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