Denúncia contra juiz altera clima eleitoral no Paraguai

Por Daniela Desantis ASSUNÇÃO (Reuters) - Uma denúncia de plágio contra o único membro de oposição do tribunal superior eleitoral do Paraguai ameaçava nesta sexta-feira criar uma crise na instituição, a poucos dias das eleições gerais.

Reuters |

Alberto Ramírez Zambonini foi denunciado por um influente senador do governo de ter plagiado fragmentos de um livro de autores argentinos em sua tese de doutorado elaborada em 2000.

Ramírez é um dos três integrantes do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), organismo encarregado de julgar as eleições que acontecerão no dia 20 de abril através de um sistema de turno único.

O magistrado é do Partido Liberal, que respalda a candidatura do ex-bispo Fernando Lugo, enquanto os outros dois juízes do TSJE respondem ao governista Partido Colorado, embora um dos juízes deveria ser independente.

O senador Juan Carlos Galverna pediu que o caso seja encaminhado à promotoria e à Superintendência da Suprema Corte de Justiça, que exerce o poder disciplinar e de supervisão sobre os tribunais.

Ramírez disse em suas primeiras declarações depois da denúncia de que se tratava de uma perseguição política para afastá-lo do julgamento das eleições e negou que renunciaria.

Depois reconheceu que a investigação continha passagens plagiadas, mas argumentou que o erro foi cometido por um grupo de colaboradores que o assessoram na elaboração.

Ramirez acrescentou que não havia percebido o inconveniente até semana passada, quando foi alertado sobre as intenções do governo de denunciá-los. Então, decidiu solicitar a anulação do doutorado.

Consultado sobre o escândalo, o presidente Nicanor Duarte Frutos disse que o magistrado deveria se demitir. 'Se ele tem um pouco de rubor, se lhe sobe um pouco de sangue no rosto creio que sim', disse a jornalistas.

'Isto é o que (a oposição) oferece ao país. Mentira, manipulação, engano, duplo discurso, triplo discurso moral. E por isso estão perdendo a força inicial', acrescentou o governante que apoia a candidatura de sua ex-ministra da Educação, Blanca Ovelar.

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