O cavaleiro Rodrigo Pessoa, medalha de ouro em Atenas, deixou escapar nesta quinta-feira o bronze na final de saltos individuais do hipismo por ter demorado mais do que outros adversários no percurso de desempate. Montando Rufus, Pessoa zerou o percurso, mas acabou eliminado no desempate porque foi o menos rápido entre os competidores, concluindo o circuito em 37s04.

"Estou satisfeito. Lógico que gostaria de ter ganho uma medalha, mas o mais importante é estar aqui presente na final e ter terminado entre os cinco primeiros", disse o ginete à assessoria de imprensa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

"O Rodrigo fez uma defesa digna da medalha, apresentou um trabalho coerente, e o Rufus é um cavalo fantástico", disse por telefone a BBC Brasil Marcello Artiaga, chefe da equipe de salto.

O ouro ficou com o canadense Erik Lamaze e o cavalo Hickstead, seguido do conjunto sueco de Rolf-Goran Bengtsson e Ninja. O bronze foi para a amazona americana Beezie Madden, que montou Authentic.

Satisfeito
O Brasil não conseguiu garantir nenhuma medalha na final de saltos individuais, disputada em Hong Kong. No entanto, o outro conjunto brasileiro participante da final, formado pela amazona Camila Mazza e o cavalo Bonito Z, surpreendeu positivamente, concluindo a noite em décimo lugar.

Na primeira fase da final, Camila completou o percurso sem faltas e foi para a segunda etapa ladeada por outros nove conjuntos, que também conseguiram a pontuação zerada.

Apesar do bom começo, a amazona, no entanto, acabou cometendo duas faltas e perdeu oito pontos na segunda etapa, o que a deixou de fora da disputa por uma medalha.

"Só de chegar aqui foi uma vitória. Foi uma surpresa grande este resultado, foi um presente de Deus", disse Mazza à assessoria de imprensa do COB.

"A Camila foi a atleta que mais evoluiu nesta Olimpíada. Para uma amazona que tem base de treino no Brasil e não costuma participar dos grandes eventos da Europa, ela teve um desempenho fenomenal", afirmou Artiaga a BBC Brasil.

Substituição
Camila era reserva da equipe brasileira e entrou para substituir Alvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, dois dias antes do inicio das competições, porque a égua do cavaleiro foi reprovada no exame veterinário.

Colocada durante as preliminares na 38ª posição do ranking geral, ela ficou inicialmente de fora da final - apenas os 35 melhores participam da decisão -, mas acabou sendo convocada às pressas na tarde desta quinta-feira na condição de substituta do cavaleiro Bernardo Alves.

O cavalo Chupa Chup de Alves foi eliminado da decisão porque apresentou um problema de dopping inesperado, após testar positivo para a substância capsaicin.

Junto com Alvez e Chupa Chup, três outros conjuntos (Irlanda, Noruega e Alemanha) também foram excluídos da final por uso de medicamento não permitido pela Federação Eqüestre Internacional (FEI).

Mazza também foi uma grande revelação pelo cavalo que utilizou na competições.

Bonito Z foi comprado por cerca de US$ 3 mil, enquanto outros animais que participaram da competição estão avaliados na média em centenas de milhares de dólares cada.

Se comparado com casos extremos, a montaria da brasileira chega a representar apenas 0,1% do valor de alguns animais das equipes adversárias.

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