O Brasil e outros quatro países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) manifestaram preocupação, nesta quarta-feira, com a demora do Congresso hondurenho em discutir a restituição do presidente deposto, Manuel Zelaya. O representante brasileiro na OEA, Ruy Casaes, disse que o governo do Brasil não aceitará o resultado das eleições de 29 de novembro se Zelaya não for restituído ao poder.


Pelo acordo Tegucigalpa-San José, firmado na última sexta-feira entre Zelaya e o governo interino de Roberto Micheletti, o Congresso votaria pela restituição ou não do presidente deposto, antes de ouvir a opinião da Suprema Corte sobre o assunto. O acordo estipula ainda que um governo de união nacional deve ser formado até esta quinta-feira.

Mas na terça-feira o Congresso hondurenho decidiu não interromper seu recesso e discutir o tema.

'Dar por morto'

Na reunião da OEA desta quarta-feira, Equador, Nicarágua e Venezuela criticaram as celebrações ocorridas após o anúncio do acordo da semana passada. EUA, Brasil e outros países chegaram a parabenizar ambas as partes pela resolução da crise.

Mas o representante americano na OEA, Robert Armstrong, disse que "antes de darmos o acordo por morto, deixemos que a Comissão de Verificação trabalhe".

Na terça-feira foi instalada a Comissão de Verificação do Acordo, coordenada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e integrada pelo ex-presidente chileno Ricardo Lagos e pela secretária de Trabalho americana, Hilda Solís, além de representantes dos dois lados.

Presidente

Também na quarta-feira, Zelaya considerou uma "ofensa" o pedido de Micheletti para que ele nomeasse nomes para formar o ministério do governo interino antes que seja definido quem será o chefe desta administração.

"O presidente Zelaya considerou uma ofensa a ele, como presidente eleito pelo povo hondurenho o que pede o golpista Roberto Micheletti", disse o porta-voz de Zelaya, Rasel Tomé.

Zelaya já declarou que sem sua restituição ao poder "não há acordo" e seus porta-vozes dizem esperar sua volta ao poder antes da nomeação do governo interino.

Mas nesta quarta-feira, uma porta-voz de Micheletti, Vilma Morales, disse que o governo do país "seguiria como está, com Micheletti como presidente até que se decida a respeito do ponto cinco (sobre a restituição de Zelaya)".

Os protestos em frente ao Congresso em Tegucigalpa para pressionar pela votação da volta de Zelaya continuaram nesta quarta-feira.


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