Pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos indicam que os democratas podem estar a caminho de uma vitória convincente nas eleições para o Senado americano, que também acontecem em 4 de novembro. Neste ano, a maioria das 35 cadeiras em disputa no Senado é ocupada por republicanos.

A casa conta com 100 cadeiras no total.

Se conseguirem sete nestas eleições, os democratas acabariam com 58 cadeiras no Senado e, se conquistarem onze, ficarão com 62.

Por que isso importa?
Por causa das regras do Senado, são necessários 60 votos para derrubar a estratégia do filibuster, na qual um senador começa a discursar para atrasar, e efetivamente bloquear, a votação de um projeto.

Há dois anos, os democratas vêm sendo prejudicados pelos filibusters republicanos, apesar da maioria na casa.

Uma vitória convincente poderá permitir que os democratas no Senado aprovem políticas muito mais ambiciosas e liberais, especialmente se o povo americano também eleger o democrata Barack Obama para a Casa Branca.

Do jeito que a corrida está atualmente, os democratas têm boas chances de ganhar pelo menos sete cadeiras no Senado, correspondentes aos Estados de Alasca, Colorado, Novo México, New Hampshire, Carolina do Norte, Oregon e Virgínia - e poderiam, eventualmente, levar até onze.

Otimismo
A cada dois anos, todas as cadeiras da Câmara dos Representantes (deputados federais) e um terço das vagas de senadores são disputadas nas urnas americanas.

Em 2006, as eleições realizadas na metade do segundo mandato do presidente George W. Bush foram marcadas pela retomada, por parte dos democratas, do controle da Câmara e do Senado.

Mas atualmente, eles possuem uma maioria pequena, de 51 a 49, no Senado - e um dos senadores teoricamente do lado da oposição é o democrata independente Joe Lieberman, que está realizando campanha para o candidato republicano à Casa Branca, John McCain.

Larry Sabato, professor de Ciências Políticas da Universidade de Virgínia, é um dos analistas que acham que os democratas estão numa excelente posição para conseguir uma maioria confortável em novembro.

"Maior, impossível", diz Sabato, sobre a possível dimensão da vitória democrata que ele prevê nas eleições de novembro.

Sabato acredita que se os democratas ganharem 58 cadeiras, os votos de republicanos moderados serão suficientes para permitir que Barack Obama, se eleito, consiga fazer com que sua agenda legislativa passe pelo Senado.

Mas, para conseguir o avanço na casa, os democratas teriam que conseguir cadeiras que representam Estados onde não têm grande força.

Alasca
Um dos Estados onde se descortina uma vitória surpreendende para os democratas é o Alasca, cuja delegação no Senado vem sendo consistentemente republicana desde 1981.

O atual senador republicano, Ted Stevens, que busca reeleição em novembro, é uma figura dominante na política do Estado desde 1968, quando conquistou sua cadeira pela primeira vez.

Mas sua posição começa a parecer vulnerável. Atualmente ele está sendo julgado pela acusação de esconder que uma reforma em sua casa foi feita de graça por funcionários de uma companhia de petróleo.

Mesmo antes do comunicado de seu indiciamento, Stevens vinha enfrentando uma dura batalha pela reeleição contra o prefeito de Anchorage, o democrata Mark Begich.

Virginia, Colorado e Novo México
Quatro outras cadeiras hoje ocupadas por republicanos parecem ao alcance de democratas.

Destas quatro, as duas com maior possibilidade de serem tomadas por democratas são as da Virgínia e do Colorado - dois Estados tradicionalmente republicanos onde vem aumentando a votação democrata em recentes eleições.

Na Virgínia, o lugar do senador republicano John Warner, ex-marido da atriz Elizabeth Taylor, é alvo da disputa de dois ex-governadores da Virgínia: o republicano Jim Gilmore e o democrata Mark Warner.

Pesquisas de intenção de voto sugerem que Warner está na frente com uma grande vantagem.

No Colorado, onde os democratas conquistaram uma cadeira no Senado em 2006, o deputado Mark Udall, um democrata, está à frente do ex-deputado Bob Schaffer, um republicano.

Como na Virgínia, a tendência no Colorado vem sendo para o lado dos democratas, e ambos os Estados estão dando sinais de apoiar Barack Obama na eleição presidencial, o que deve ajudar os candidatos do partido a outros cargos.

No Novo México, o democrata Tom Udall, primo de Mark Udall, está competindo com outro deputado, o republicano Steve Pearce, pelo assento do senador Pete Domenici, que não concorre à reeleição.

Os Udall são uma dinastia política. O pai de Tom, Stewart Udall, era um congressista do Arizona e secretário do Interior há uma geração, na época de John Kennedy.

Sul
A quarta possível cadeira que poderia vir a ser conquistada pelos democratas é do Mississippi.

O Estado é um fiel reduto republicano, mas o candidato republicano Roger Wicker está tendo dificuldades em defender a cadeira contra o desafio do democrata Ronnie Musgrove, um ex-governador do Estado.

Musgrove espera que Barack Obama leve a um alto comparecimento às urnas dos eleitores afro-americanos, o que poderia aumentar suas chances.

Os republicanos também enfrentam desafios em outros Estados tradicionalmente alinhados ao partido como a Carolina do Norte - onde a democrata Kay Hagan está na frente da republicana Elizabeth Dole nas pesquisas de opinião - e a Geórgia, onde as pesquisas sugerem uma disputa acirrada.

As pesquisas também indicam que até mesmo o líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, terá que brigar para manter a cadeira de Kentucky, antes considerada praticamente garantida.

Estados democratas
Os democratas também estão de olho em um número de cadeiras atualmente ocupadas pelos republicanos em Estados que são tradicionalmente democratas.

Desses, o triunfo mais provável será em New Hampshire, onde o republicano John Sununu terá uma disputa dura contra a popular ex-governadora do Estado Jeanne Shaheen.

Dois outros republicanos eleitos em Estados tradicionalmente controlados pelos democratas - Gordon Smith em Oregon e Norm Coleman em Minnesota - também correm o risco de perder suas cadeiras para candidatos democratas fortes.

A batalha de Coleman contra o democrata Al Franken, um comediante e radialista, está ainda mais complicada pela presença de um terceiro candidato, Dean Barkley, que serviu brevemente no Senado.

"Ninguém sabe o que vai acontecer em Minnesota", diz o professor Sabato.

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