Washington, 24 dez (EFE).- A aprovação hoje no Senado dos Estados Unidos do projeto de lei de reforma no sistema de saúde foi recebida com festa por democratas, rechaço por republicanos e reações mistas entre os diferentes grupos de interesse do país.

O projeto de lei, que precisa ainda ser harmonizado com o aprovado em 7 de novembro pela Câmara de Representantes, procura ampliar a cobertura médica a cerca de 30 milhões de americanos, assim como reduzir os crescentes custos no setor.

"Estamos finalmente a ponto de tornar realidade a promessa de uma reforma sanitária real e significativa que dará segurança e estabilidade adicional ao povo americano", disse Obama antes de viajar para o Havaí, onde passará o Natal.

Com entusiasmo similar se expressou o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, que qualificou o voto de "histórico".

"Esta é uma questão de vida ou morte para os EUA. É uma questão sobre a moralidade, sobre o que está bem e mal, sobre sofrimento humano e dada a oportunidade de aliviar essa dor devemos agir", afirmou.

Já o presidente do Comitê Financeiro do Senado, Max Baucus, assinalou que tanto ele como seus companheiros democratas se solidarizam com "os milhões de americanos que se declararam em quebra devido às despesas de atendimento de um parente doente".

Bem distinta foi a reação dos republicanos, responsáveis por 39 votos contrários à reforma.

"A batalha está longe de ter acabado", afirmou o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell.

"Meus companheiros e eu trabalharemos para impedir que este projeto de lei se transforme em lei", acrescentou.

"Este é um erro histórico", afirmou, por sua vez, o também republicano Lamar Alexander.

Seu companheiro de partido, o senador Richard Shelby, foi um passo além ao definir o projeto como uma "abominação".

"Apesar do que dizem os democratas, o déficit federal aumentará de forma dramática", explicou Shelby.

O objetivo do projeto de lei aprovado hoje é reduzir em US$ 132 bilhões o déficit federal entre 2010 e 2019.

Além do Congresso, a Associação Americana de Aposentados (Aarp) deu as boas-vindas a uma iniciativa que reforça, na opinião do grupo, o sistema de cobertura público para maiores de 65 anos (Medicare).

"O projeto (...) limita as companhias seguradoras na hora de cobrar muito mais aos americanos pela cobertura médica devido a sua idade", afirmou o presidente da Aarp, Barry Rand, que disse confiar que a legislação final ofereça ainda maiores garantias aos mais velhos.

Os grupos hispânicos, por sua vez, celebraram a decisão de hoje, ao dizerem que faz com que o processo siga avançando, mas lamentaram que não contemple as principais preocupações dos latinos.

A versão aprovada do Senado exclui especificamente os imigrantes ilegais, muitos deles hispânicos.

"O Congresso e o presidente podem fazer com que a reforma sanitária mereça o forte apoio de nossa comunidade. Confiamos que estejam dispostos a tentar", afirmou Janet Murguía, presidente do Conselho Nacional da Raça (NCLR).

A nova medida recebeu apoio de organizações de médicos.

"Este projeto firma as bases para ampliar a cobertura aos que não têm seguro, faz insistência na prevenção da doença e na melhora do atendimento médico", disse a presidente da Associação Americana de Cardiologia, Nancy Brown.

Ao contrário de outros países desenvolvidos, os EUA carecem de cobertura médica universal e, mesmo assim, é um dos países que mais gasta em saúde, com cerca de 16% do Produto Interno Bruto (PIB), o dobro na comparação com a média das nações rica. EFE tb/rr

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