Democratas que votaram a favor da reforma da saúde recebem ameaças de morte

Washington, 24 mar (EFE).- Líderes democratas da Câmara de Representantes receberam ameaças de morte e foram alvo de ataques após a aprovação da controvertida reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos, informou hoje o jornal Politico.

EFE |

Segundo o veículo, os democratas Louise Slaughter, de Nova York, e Bart Stupak, de Michigan, que foram políticos essenciais para a ratificação da reforma na noite do último domingo, receberam ameaças de morte.

Stupak, um católico antiaborto, fez um acordo com a Casa Branca mediante o qual o presidente americano, Barack Obama, ofereceu uma ordem executiva que proíbe o uso de fundos públicos para a prática do aborto, salvo em casos de incesto, estupro ou gravidez que coloque a saúde da mulher em risco.

Obama deve assinar hoje a medida, que reafirma a chamada "Emenda Hyde" contra o uso de fundos públicos para abortos e cujo texto já tinha sido antecipado aos meios de comunicação no fim de semana.

Stupak afirmou ontem em comunicado que a medida "tem o peso da lei" e defende o princípio "sagrado da vida". Ele citou como exemplo a ordem executiva que autorizou a emancipação dos escravos negros em 1863.

O legislador também assinalou que uma medida executiva assinada pelo ex-presidente americano George W. Bush em 2007 restringiu as pesquisas com células-tronco embrionárias.

Porém, vários líderes republicanos e conservadores continuam atacando o deputado democrata. Eles insistem que essa ordem executiva não tem peso porque pode ser modificada a qualquer momento e só foi uma manobra para conseguir o voto dos indecisos ou dos que até pouco antes da votação se opunham à reforma.

"Você é um homem morto; sabemos onde você vive e vamos te encontrar", diz uma das mensagens recebidas por Stupak, segundo o "Politico".

O escritório do democrata não respondeu às ligações para confirmar as ameaças de morte. Uma gravação diz apenas que, "devido ao alto volume de chamadas, não podemos atendê-lo, mas deixe uma mensagem".

O jornal também disse que os escritórios de Slaughter em Nova York e o da legisladora Gabrielle Giffords, no Arizona, foram alvo de ataques.

Slaughter, presidente do Comitê de Regras da câmara baixa, disse ao "Politico" que seu escritório recebeu uma ligação anônima advertindo que seriam enviados franco-atiradores "para matar os filhos dos legisladores que votaram a favor da reforma".

Na semana passada, os detratores da nova lei utilizaram fotos das duas filhas do democrata Steve Driehaus, de Ohio, em um artigo de opinião para pressioná-lo a votar contra a medida.

Driehaus e outros democratas culpam os republicanos por "incentivar" os elementos mais extremistas do movimento conservador, que prometeu lutar até o fim para impedir a reforma do sistema de saúde nos tribunais.

Ontem, 14 promotores gerais, todos republicanos, entraram com processos em tribunais federais para revogar a reforma, argumentando que ela viola a Constituição e a autoridade dos Governos estaduais.

Entre os processos, 13 vieram da Flórida, enquanto o da Virgínia foi instaurado em Richmond, capital desse estado. EFE mp/pb/bba

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