Democratas no gelo

Uma mulher mudou o curso da campanha americana. Antes de Sarah Palin, o senador McCain custava reunir mil pessoas num comício.

BBC Brasil |

Cinco mil era uma multidão. Com a vice ao lado, dez mil é canja. E a multidão gritaSarah, Sarah. McCain vai na carona. Parece que a chapa é Sarah Palin -John McCain.

A governadora ia voltar para o Alasca depois de alguns dias de campanhasolo, mas os republicanos mudaram os planos e a dupla trafega junta com Trig, o bebê com a síndrome de Down. A maledicência democrata diz que ela troca a fralda do filho e o fraldão do senador. No jantar corta o bife para ele.

Graças a santa Sarah, os cofres republicanos agora transbordam e a campanha de Obama, que recusou fundos públicos, corre atrás de dinheiro.

Espera levantar US$ 300 milhões para a campanha dele e outros US$ 150 milhões pra o partido até novembro. A meta do mês não foi atingida. Antes da convenção, Obama não tinha problema de dinheiro.

Repórteres das tropas de choque das redações e advogados democratas baixaram no Alasca em busca dos podres da Sarah, mas o saldo é a favor dela.

O país e a imprensa continuam fascinados pela governadora, mas o cenário pode mudar.

De fato, ela mentiu quando disse que não queria construir a "ponte para lugar nenhum", uma construção que virou deboche no Congresso e no país.

Durante a convenção, ela disse que recusou o dinheiro, mas as gravações durante a campanha para governador mostram Sarah Palin a favor da ponte.

Ela é vulnerável na questão do meio ambiente. Defende a exploração de gás e petróleo no Alasca e rejeita a ameaça aos ursos polares, mas com a gasolina ainda à beira de US$ 4, o eleitorado americano é cada dia mais a favor de furar o país inteiro. Os republicanos estão ganhando neste terreno.

Sarah Palin é acusada de tentar substituir o ensino da teoria da evolução pelo criacionismo, mas as investigações mostram que ela sugeriu que ambas as teorias fossem ensinadas. Também é mentira que tenha banido livros da biblioteca da escola, mas andou assuntando e ameaçou demitir a bibliotecária.

A reação foi negativa e ela desistiu. Também é mentira que tenha mandado reduzir a verba para estudantes deficientes. Pelo contrário, triplicou.

As tropas investigativas descobriram que ela cobra diárias do governo Alasca mesmo quando esta em casa. Em vários Estados americanos esta é umaprática criminosa e é uma denúncia que pode manchar a reputação de honestidade promovida pela dupla republicana.

Pelas pesquisas, o jogo está com um ponto a favor de McCain, e, pelos estrategistas, os Estados cruciais estão reduzidos a quatro: Missouri, Pensilvânia, Ohio e Virgínia. Em todos eles, "liberal" é palavrão.O discurso de Obama muda aos poucos, cada vez mais conservador.

Se não fossem os liberais, não haveria um Barack Obama e uma SarahPalin nas chapas presidenciais. A previdência já teria sido privatizada,assistência medica para velhos e pobres estaria nas mãos das seguradorase a questão do meio ambiente não existiria. O melhor que Barack Obama eJoe Biden tem a oferecer - mais assistência médica, social, educação, menos poluição, novos investimentos em ciência e energias alternativas - comovem menos os eleitores destes Estados cruciais do que segurança, pátria, armas e impostos.

A 55 dias da eleição, os democratas estão no gelo do Alasca.

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