Democratas latinas chegam a Denver para cobrar reconhecimento a Hillary

Paco G. Paz.

EFE |

Denver (EUA), 26 ago (EFE).- As delegadas latinas que participam da convenção democrata em Denver não escondem a admiração e a gratidão que têm pela senadora por Nova York Hillary Clinton, e, embora votarão em Barack Obama, o candidato do partido à Casa Branca, não querem que a ex-primeira-dama deixe a cidade sem um reconhecimento público.

Na reunião que manteve hoje, o Caucus das Mulheres em Denver deixou clara a grande influência que Hillary tem junto às eleitoras, algumas das quais resistiram até o fim último a dar seu apoio ao senador por Illinois.

No encontro, muitas demonstraram sua insatisfação, não só pelo tratamento que Hillary recebeu nas primárias, mas também pelo fato de Obama não a ter escolhido como vice-presidente em sua chapa, o que, para aquelas, foi a "gota d'água".

Entre as delegadas democratas que acompanham a convenção em Denver, as latinas são as que demonstram ter maior admiração por Hillary e Bill Clinton, considerados seu casal Kennedy, disse hoje à Agência Efe Lenora Sorola-Pohlman, a vice-presidente do partido no Texas.

"Os Clinton sempre trabalharam pelos latinos. Eles começaram sua carreira política em um comício no Texas. Foi lá onde eles se conheceram e se apaixonaram", lembra Lenora, de origem mexicana.

"Sempre que nós, latinos, precisamos de algo, Bill e Hillary estiveram lá para nos ajudar. Por isso, os hispânicos os vêem como nosso casal Kennedy, como Jacqueline e John", acrescenta.

Apesar do apoio quase incondicional à ex-primeira-dama, os latinos têm consciência de que a ex-primeira-dama vai pedir-lhes hoje, durante a convenção, que votem em Obama. No entanto, eles querem que a senadora por Nova York também receba seu reconhecimento.

O escritório de campanha de Obama aceitou que o nome de Hillary, a segunda colocada nas primárias, seja submetido a uma primeira votação na convenção, na qual deverá ter um grande apoio de estados como Nova York, Texas e Kentucky, entre outros.

Em uma segunda votação, que será a definitiva, Obama sairá eleito como candidato oficial do Partido Democrata à Casa Branca.

"Para mim, essa votação é muito importante, porque representa a chance de darmos todo nosso respeito e reconhecimento ao que (Hillary) conseguiu no processo de primárias", diz Bethaidey González, delegada de Nova York.

A fiel eleitora da senadora lembra ainda que Hillary obteve 18 milhões de votos, algo nunca conseguido por um candidato na história das primárias dos EUA Atendendo aos apelos da ex-primeira-dama, muitos desses eleitores aceitaram dar seu apoio à candidatura de Obama e Joe Biden (que concorre como vice, embora com algumas reservas.

"Hillary quer que demos nosso apoio a Obama e Biden, e, com pesar, farei isso, mas porque ela me pede. Na primeira votação, daremos nosso apoio a ela. Estamos negociando a possibilidade de toda a delegação de Nova York votar em bloco. Na segunda rodada, votaremos em Obama ", acrescentou à Efe.

"Para ela, a unidade do partido é muito importante. Ouvi-a discursar duas vezes, e, a cada vez, ela fala com seu coração sobre a necessidade de apoiar Obama e Biden", disse a delegada por Nova York, que acha que o respaldo de Hillary a Obama é sincero.

O mesmo não acha a vice-presidente do partido no Texas, para quem a ex-primeira-dama poderia ter demonstrado mais entusiasmo: "Possivelmente, Hillary não fez tudo o que podia para apoiar Obama, mas Obama também não a apoiou 100%".

Sorola-Pohlman diz ainda que, para muitos latinos, será difícil votar em um afro-americano nas eleições presidenciais de novembro.

"Não sei como dizer isso de uma maneira educada, mas sempre houve muitos atritos entre os latinos e os afro-americanos. Não há uma confiança mútua. Nas cidades, sim, porque trabalham juntos, mas não no resto do país", afirmou. EFE pgp/sc

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