Paco G. Paz Denver (EUA), 26 ago (EFE).

- Os democratas fecharam nesta segunda-feira a primeira jornada da Convenção Nacional de Denver com um maior conhecimento da vida de seu candidato Barack Obama, e um pouco mais unidos, graças ao apoio público dado a ele pela senadora Hillary Clinton.

O primeiro dia da convenção teve um protagonista obrigado, Barack Obama, um involuntário, Hillary Clinton, e outro surpresa, o senador Ted Kennedy que, ainda convalescente de uma operação de um tumor cerebral, foi capaz de colocar de pé os 20.000 presentes, com um discurso vibrante e emotivo.

A jornada foi planejada para conhecer as vivências que forjaram a personalidade do candidato, e a principal oradora foi sua mulher, Michelle Obama, que assegurou que seu marido será um "presidente extraordinário".

"Barack e eu crescemos com muitos dos mesmos valores: que uma pessoa trabalha duro pelo que quer na vida, que a palavra dessa pessoa é lei e que fará o que disser que faz", disse.

Ela Lembrou o encontro do casal e o momento no qual Obama ganhou seu coração, quando em um ato comunitário em bairros afetados pelo fechamento de siderúrgicas seu então pretendente falou do mundo "não como é, mas como deveria de ser".

As duas filhas do casal, Malia e Sasha, de 10 e 7 anos, subiram ao palco no final do discurso e ambas trocaram algumas palavras com seu pai, que esteve presente via videoconferência.

Antes, tomou a palavra Maya Soetoro-Ng, a meia-irmã de Barack Obama, que deu testemunho das lições de humanidade e de serviço aos demais que sua mãe lhes ensinou quando eram crianças, e que ficaram marcadas na personalidade do candidato.

Lembrou que sua mãe, S. Ann Dunham Obama Soetoro, contava histórias para os dois das quais extraía lições de humanidade, de serviço aos demais.

"E nestes tempos difíceis precisamos de novo recuperar o valor dessas histórias, de defender o que achamos. Isto é o que representa Barack Obama", disse.

Craig Robinson, cunhado de Obama, lembrou hoje os anos do candidato como senador estadual em Illinois, quando, segundo disse, demonstrou sua capacidade para superar as barreiras partidárias ao trabalhar com seus oponentes políticos para alcançar acordos importantes em temas como a saúde pública.

Outro dos grandes protagonistas da noite foi o senador democrata Edward Kennedy, cuja presença no palanque colocou o público de pé, no que representou o momento mais emotivo da jornada.

Com voz firme e bom aspecto, apesar de os médicos considerarem sua doença incurável, Kennedy afirmou: "Vim me unir a vocês para mudar os Estados Unidos, recuperar seu futuro, nos elevar rumo a nossos melhores ideais e escolher Barack Obama como presidente".

Mas a atenção do partido durante a jornada da segunda-feira se centrou na senadora por Nova York, Hillary Clinton, perante as dúvidas que alguns delegados têm sobre se ela vai dar um apoio fechado ao candidato, quando tomar a palavra na Convenção.

Em declarações à imprensa, a senadora quis espantar as dúvidas e deixou claro que fará todo o possível para mostrar seu pleno apoio a Barack Obama, apesar de reconhecer que alguns de seus partidários se mostram reticentes a votar nele.

"Estou fazendo tudo o que posso fazer, e acho que o demonstrei", disse.

Ela planeja se reunir com seus delegados na quarta-feira para notificá-los que os libera de seu compromisso de votar nela, e pedir a eles que o façam em favor de Obama.

"Muitos deles votarão em Obama, mas outros se sentem na obrigação de cumprir com o compromisso feito com os eleitores", afirmou Hillary, ao deixar a porta aberta ao voto contra Obama.

Alguns de seus simpatizantes decidiram não esconder sua ira e aderir ao outro lado, ao formalizar um grupo que se autodenomina "Democratas por McCain", que diz que vai votar no candidato republicano em novembro.

Segundo o líder do "Democratas por McCain", Silverio Salazar, o senador republicano "é um candidato que está pronto para ser presidente desde o primeiro dia".

Segundo uma pesquisa publicada na segunda-feira pelo jornal "USA Today", menos da metade dos simpatizantes de Hillary, apenas 47%, tem certeza que votará em Obama em novembro.

Quase 30%, diz a pesquisa, disse que escolheria John McCain, ou inclusive se absteria do direito de votar. EFE pgp/ma

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