Democratas encerram convenção histórica e demonstram união do partido

Paco G.Paz.

EFE |

Denver (EUA.), 28 ago (EFE).- Os democratas encerram hoje a convenção que entrará para a história por ter nomeado candidato o primeiro representante de uma minoria nos Estados Unidos, e por ter conseguido fechar com sucesso as feridas e divisões do partido.

A Convenção Nacional do Partido Democrata foi uma catarse em todos os sentidos, porque permitiu deixar para trás as desavenças das primárias e gerar um processo de renovação, que tem como principal expoente o jovem senador afro-americano Barack Obama.

Obama fez história ontem ao ser proclamado candidato democrata às eleições presidenciais de 4 de novembro, um feito que emocionou muitos dos delegados negros que assistem à convenção em Denver.

O senador foi proclamado por aclamação, um gesto que permite lançar aos republicanos uma mensagem de que o Partido Democrata cerrou fileiras em torno de seu candidato, e que parte unido rumo às eleições presidenciais.

"Depois desta convenção, o partido democrata sai mais unido do que nunca, e com as feridas curadas. Saímos com um otimismo e uma energia que vai nos permitir alcançar a vitória em 4 de novembro", disse à agência Efe Federico de Jesús, recém nomeado porta-voz da campanha de Obama para a imprensa hispânica.

O porta-voz democrata destaca a importância dos gestos e da mensagem lançados na convenção pela senadora Hillary Clinton, que brigou com ferocidade durante as primárias, e cuja derrota deixou grande parte de seus seguidores descontente.

A convenção tinha programada para ontem uma votação simbólica do nome de Hillary Clinton, como homenagem e reconhecimento aos 18 milhões de votos que obteve nas primárias.

No entanto, no meio da votação, a senadora por Nova Iorque tomou o microfone e pediu a suspensão de sua pré-candidatura, o que permitiu proclamar o candidato Barack Obama por aclamação.

"Sem a liderança de Hillary Clinton apoiando Obama, não seria possível ter o impulso que temos agora. Ontem se confirmou totalmente a integração dos seguidores de Hillary na campanha. São uma base importante do partido e nos alegra tê-la a bordo", destacou Jesús.

Além dos gestos de unidade, a Convenção de Denver teve um grande conteúdo político. Durante quatro dias, conferentes de todo o país defenderam o ideário dos democratas para as eleições presidenciais.

Assim, em matéria econômica, falou-se da necessidade de elevar os impostos, ajudar os menos favorecidos e melhorar as condições de vida da classe média americana, verdadeiro motor da maior economia do mundo.

Em matéria social, um dos eixos fundamentais foi a reforma sanitária que Obama pretende realizar, e que estenderá a cobertura médica de maneira universal.

Mas o ponto mais polêmico, e que gerou mais protestos durante a Convenção, foi o aborto. Obama se considera um defensor do direito da mulher a escolher, o que o tornará, caso chegue à Casa Branca, o primeiro presidente "pró-escolha".

Grupos de ativistas pró-vida protagonizaram nos últimos dias intensos protestos em Denver, alguns dos quais acabaram em enfrentamentos com a Polícia e detenções.

A política externa também teve um papel destacado na convenção, especialmente depois que o Partido Republicano começou a atacar a inexperiência de Obama neste campo.

Ontem, o candidato à Vice-Presidência Joseph Biden destacou as idéias que eles prometem realizar se vencerem em novembro, entre elas restaurar o prestígio do país no exterior, forjar novas alianças e acabar com a presença militar no Iraque. EFE pgp/ab/gs

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG