Democratas dos EUA podem fazer história em eleição legislativa

Por Thomas Ferraro WASHINGTON (Reuters) - Segundo pesquisas, os democratas norte-americanos caminham para conquistar feitos históricos nas eleições legislativas da próxima terça-feira, bem como para encarar desafios enormes depois disso, desafios a respeito de questões que vão da guerra ao mercado financeiro.

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Devido principalmente à imensa impopularidade do atual presidente dos EUA, George W. Bush, e à pior crise econômica do mundo desde a Grande Depressão de 1929, o Partido Democrata pode ampliar seu controle sobre o Senado e a Câmara dos Representantes (deputados), atingindo seus maiores níveis em décadas.

Os democratas podem formar um bloco majoritário no Senado grande o suficiente até mesmo para impedir os republicanos de barrar o trâmite de projetos de lei com manobras procedimentais.

E o Partido Democrata talvez precise desse tipo de privilégio para cumprir as promessas feitas pelo candidato dele à Presidência dos EUA, Barack Obama, que, segundo as pesquisas, encaminha-se para derrotar seu rival do Partido Republicano, John McCain.

"Os democratas terão um período breve para celebrar. Depois, precisarão começar a trabalhar rapidamente", afirmou Paul Light, do Centro para o Estudo do Congresso na Universidade Nova York.

Segundo o deputado Chris Van Hollen, presidente da comissão da campanha democrata para a Câmara dos Representantes, "haverá muita expectativa".

"Vamos avançar a toda velocidade, mas temos de administrar as expectativas e explicar que não podemos fazer tudo da noite para o dia", afirmou o deputado.

Os democratas controlam o Congresso há dois anos. No entanto, quando tentaram levar adiante muitos de seus projetos, como o aumento de gastos com a saúde pública ou a retirada de soldados norte-americanos do Iraque, viram-se frustrados pelo veto de Bush ou por manobras procedimentais realizadas pelo senadores republicanos.

Mesmo se ampliarem seu controle sobre o Congresso e se ocuparem a Casa Branca, os democratas vão se deparar com restrições orçamentárias sem precedentes, o que limitará seu espaço de manobra.

"Os problemas são enormes e há muitas coisas que Obama e os democratas podem fazer", disse Andrew Taylor, professor de ciências políticas na Universidade Estadual da Carolina do Norte. "Mas não há muito dinheiro disponível."

Entre as promessas de campanha feitas pelos democratas incluem-se tornar os EUA independentes quanto a suas fontes de energia, estimular a economia, reduzir os impostos para a classe média, cancelar os benefícios fiscais concedidos aos mais ricos, dar início à retirada dos soldados norte-americanos do Iraque e aumentar o contingente militar no Afeganistão.

Como fatores que dificultarão esses esforços contam-se um déficit federal recorde, o plano de 700 bilhões de dólares aprovado recentemente pelo governo para resgatar o mercado e a crescente ameaça de uma recessão econômica.

Os democratas, portanto, precisarão unir suas alas mais esquerdistas, moderadas e mesmo conservadoras, particularmente na questão fiscal e a respeito de qualquer grande programa de gastos.

Há ainda diferenças a serem resolvidas entre os membros do partido sobre questões como a energética -- alguns defendem ampliar a extração de petróleo em plataformas marítimas; outros discordam dessa alternativa.

Os democratas devem tornar mais rígida a regulamentação federal sobre o setor financeiro dos EUA e aprovar leis vetadas por Bush e que prevêem a ampliação da pesquisa com células-tronco e um programa de atendimento médico para crianças custeado pelo governo federal.

"Se os democratas conquistarem uma ampla maioria na Câmara e no Senado e se Obama vencer, então terão um mandato para realizar mudanças", afirmou Ethan Siegal, do The Washington Exchange, uma empresa que acompanha o funcionamento do Congresso.

Os democratas conquistaram o controle das duas casas em 2006 principalmente por causa da impopular guerra de Bush no Iraque e de casos de corrupção. Os republicanos perderam seis cadeiras no Senado e 30 na Câmara dos Representantes.

Neste ano, como os republicanos vêm sendo responsabilizados pela crise econômica, os democratas têm boas chances de conquistar mais nove cadeiras no Senado, o que lhes daria uma bancada de 60 senadores, o número necessário de votos para acabar com as manobras procedimentais de bloqueio. A última vez em que o partido contou com uma bancada desse tamanho aconteceu 30 anos atrás.

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