Democratas dizem que Iraque desvia foco da Al Qaeda

Por Kristin Roberts WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos não conseguirão derrotar a verdadeira ameaça à sua segurança representada pela Al Qaeda no Paquistão e no Afeganistão enquanto continuarem atrelados ao Iraque, afirmaram na quarta-feira congressistas democratas a autoridades norte-americanas envolvidas na questão iraquiana.

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Em seu segundo dia de depoimento no Congresso, o general David Petraeus, comandante das forças dos EUA no Iraque, e o embaixador norte-americano naquele país, Ryan Crocker, disseram que o recente aumento no poder de combate das forças de segurança havia diminuído a violência e que as facções iraquianas avançavam, ainda que lentamente, rumo à reconciliação.

Mas os democratas afirmaram que o presidente dos EUA, George W. Bush, que lançou a guerra cinco anos atrás e cujo mandato termina em janeiro -- quando deverão ainda estar em território iraquiano mais de 100 mil soldados norte-americanos --, não estava conseguindo concentrar-se na ameaça maior representada pela Al Qaeda na fronteira afegano-paquistanesa.

'Proteger esta nação do ataque direto é a prioridade maior, mas a forma como distribuímos nossas forças não atende a essa prerrogativa', disse o deputado Ike Skelton, presidente da Comissão dos Serviços Armados da Câmara dos Representantes (deputados).

'Os esforços realizados no Iraque, apesar de importantes, colocam em risco nossa capacidade de derrotar de uma vez por todas os que, mais provavelmente, nos atacariam', afirmou o congressista democrata referindo-se à Al Qaeda.

Em seu relatório sobre a guerra, divulgado no quinto aniversário da queda de Bagdá depois da invasão liderada pelos EUA, Petraeus e Crocker disseram ter havido progressos políticos no cenário iraquiano em meio à ampliação temporária do contingente militar norte-americano naquele país.

Os dois ressaltaram, no entanto, que os avanços eram 'frágeis e reversíveis'.

Petraeus planeja suspender o processo de redução do contingente militar em julho por 45 dias, período depois do qual avaliaria a situação do Iraque e analisaria a possibilidade de realizar novas retiradas.

Na quarta-feira, o general disse que um clima de estabilidade em quatro ou cinco áreas permitiria aos EUA trazer mais soldados para casa.

O Pentágono mantém 160 mil militares no Iraque depois de ter ampliado essa força em cerca de 30 mil integrantes no ano passado.

A ampliação do contingente militar visou diminuir a violência a fim de criar um clima de calmaria capaz de permitir aos congressistas iraquianos aprovarem leis consideradas críticas para a estabilidade de seu país no longo prazo.

Apesar de a manobra ter ajudado a reduzir dramaticamente o número de ataques e baixas, o nível de violência voltou a subir nas últimas semanas. Além disso, a oportunidade criada pelo aumento das forças norte-americanas não produziu todos os ganhos políticos prometidos por Bush.

O Pentágono começou a retirar cerca de 20 mil combatentes do Iraque -- e metade dessa operação já está concluída. Uma vez que a redução tenha chegado ao fim, em julho, o número de soldados dos EUA presentes no Iraque ficará em torno de 140 mil, disseram oficiais das Forças Armadas.

Enquanto os democratas dizem que essa postura significa um envolvimento por prazo indeterminado com o Iraque, Petraeus afirmou na quarta-feira que há possibilidade de haver novas reduções, tudo a depender da situação daquele país. O general não quis especificar quantos soldados mais sairiam dali ou quando o fariam.

Mesmo que a retirada continue ao longo da segunda metade do ano, os EUA continuarão a ter 130 mil soldados, ou talvez mais, no Iraque quando Bush deixar a Presidência, em janeiro de 2009.

(Reportagem adicional de David Morgan, Tabassum Zakaria e Andrew Gray)

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