Democratas dizem que hispânicos podem decidir eleições presidenciais

Teresa Bouza Washington, 17 jul (EFE).- O presidente do Partido Democrata, Howard Dean, que hoje inicia uma viagem para captar novos eleitores pelo sul dos Estados Unidos, disse em entrevista à Agência Efe que os latinos podem decidir as eleições presidenciais de 4 de novembro.

EFE |

"O voto hispânico pode eleger o próximo presidente dos EUA", comentou Dean durante a entrevista na sede do Partido Democrata em Washington.

Os latinos representam cerca de 9% do eleitorado americano, segundo o Escritório do Censo, importância que se deve à sua concentração em estados que poderão fundamentais no pleito presidencial.

Segundo o centro de pesquisas Pew, cerca de 65% dos eleitores hispânicos residem na Califórnia, no Texas, em Nova York e na Flórida. Destes, 48% vivem na Califórnia e no Texas.

Eles também são uma força política importante em outros estados como Novo México, Arizona, Colorado, Nova Jersey e Illinois.

Hoje, Dean partiu rumo ao Texas com os hispânicos e outros eleitores na mente. Ele participará de uma viagem de ônibus por vários estados do sul do país, um sólido reduto republicano desde 1964 e uma região bastante visada pelos democratas este ano.

O candidato presidencial democrata Barack Obama fixou o objetivo de elevar a participação eleitoral dos afro-americanos concentrados no sul em até 30%, o que, caso ocorra, poderia alterar o panorama político nos estados nessa região do país.

O principal objetivo dos democratas é também mobilizar - além de eleitores negros - mais hispânicos e jovens, grupos que têm uma participação eleitoral inferior à média e que simpatizam claramente com Obama nas pesquisas.

Nesta viagem, Dean também passará, além do estado do Texas, por Lousiana, Mississipi, Carolina do Norte e Geórgia. A ele, também se juntarão grupos musicais e políticos.

Em agosto, o presidente do Partido Democrata visitará Ohio, Pensilvânia e Indiana, antes de ir a Denver (Colorado), onde acontecerá a convenção da legenda.

A iniciativa procura aumentar o número de cidadãos registrados para votar e faz parte de sua estratégia e da de Obama de fazer campanha nos 50 estados do país, inclusive nos que tradicionalmente perdem para os republicanos.

"Se pretende-se ser presidente, tem que ser para todos. E o senador Obama entende isso muito bem", explicou Dean.

Os democratas, que perderam as eleições de 2004 apesar de partirem como favoritos, acreditam que este ano, onde lideram de novo as apostas, conseguirão chegar à Casa Branca.

A pouca popularidade do atual presidente americano, George W.

Bush, o mau andamento da economia e o entusiasmo gerado pela mensagem de mudança de Obama fizeram aumentar o otimismo entre os democratas.

Mesmo assim, Dean reconhece que, apesar do desgaste dos oito anos de Governo Bush refletidos nas pesquisas, o "presidenciável" democrata não goza de uma vantagem tão grande.

Segundo a última pesquisa publicada esta semana pelo jornal "The Washington Post", Obama tem oito pontos percentuais sobre o seu adversário republicano John McCain, uma vantagem que, na realidade, poderia ser inferior caso se leve em conta a margem de erro de 3%.

"É verdade, mas prefiro nossos dados aos do senador McCain atualmente, embora ainda tenhamos muito trabalho a fazer. Estas eleições mal começaram", destacou Dean.

Em sua opinião, os eleitores deverão optar este ano entre "o passado representado por McCain e o futuro que representa Obama".

"Acho que os americanos querem uma mudança real neste país", concluiu Dean, que considera que os democratas, maioria no Congresso, conseguirão entre dez e 12 cadeiras a mais na Câmara de Representantes e entre quatro e sete a mais no Senado em novembro.

Dean também negou que Obama tenha protagonizado o que alguns vêem como um giro ao centro, o que desiludiu os eleitores mais progressistas.

"A campanha de Obama representa a nova política de incluir todo mundo (...) e não acho que isso seja questão de se aproximar do centro, mas sim de somar gente", concluiu. EFE tb/rb/rr

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