Democratas apostam em chapa Obama-Biden para recuperar Presidência

María Luisa Azpiazu Washington, 23 ago (EFE) - Os democratas mostraram-se hoje entusiasmados com a chapa Barack Obama-Joseph Biden, uma cédula eleitoral com a qual querem recuperar a Casa Branca, mas que, para os republicanos, demonstra a inexperiência do senador por Illinois.

EFE |

Em geral, os analistas coincidem em achar que a dupla Obama-Biden equilibra a mensagem de mudança do senador democrata com as doses necessárias de experiência e conhecimento dos corredores de poder de Washington, sem as quais é impossível governar os Estados Unidos.

É uma escolha que parece necessária para levar adiante, com seriedade, a tarefa do Governo, mas que gerou imediatas críticas dos republicanos, que afirmam que o fato de Obama ter se utilizado de uma mensagem de mudança para, na hora da verdade, se unir a um dos senadores mais experientes dos EUA demonstra falta de confiança.

A designação de Biden, grande conhecedor tanto de assuntos internacionais quanto de defesa, segurança nacional e constitucionais, foi anunciada na madrugada deste sábado, pouco antes de a campanha do senador por Illinois enviar as mensagens de texto para informar sobre sua decisão.

As tão aguardadas mensagens de celular enviadas aos seguidores de Obama às 3h da madrugada (4h de Brasília) diziam: "Barack elegeu o senador Joe Biden para ser nosso vice-presidente".

A notícia, no entanto, já tinha sido confirmada duas horas antes por algumas emissoras de televisão, depois que dois dos principais rivais de Biden caíram da lista: o senador de Indiana, Evan Bayh, e o Governador da Virgínia, Tim Kaine.

Teve fim, portanto, o suspense que rodeou o longo e complicado processo de escolha que, para grande decepção de seus seguidores, em nenhum momento chegou a considerar a senadora Hillary Clinton, a grande rival de Obama nas primárias, como possível vice-presidente.

A frustração de seus seguidores está evidente nos veículos de comunicação de hoje, mas a senadora de Nova York apressou-se a elogiar a designação de Biden para o cargo.

Ela o qualificou como "um líder extraordinariamente forte e experiente e um dedicado servidor público".

Já a reação oficial republicana à nomeação teve outro tom.

Ben Porrit, porta-voz do candidato republicano John McCain, declarou que Biden foi o crítico mais obstinado da falta de experiência de Obama durante a campanha de primárias, na qual os dois disputavam a candidatura.

"Biden denunciou a falta de critério de Obama em política externa, e argumentou com suas próprias palavras o que os americanos agora vêem: que Barack Obama não está preparado para ser presidente", acrescentou Porrit.

Os republicanos não perderam nem um minuto e hoje mesmo puseram em circulação nos principais estados um anúncio no qual se vê Biden dizendo, após criticar a inexperiência de Obama, que estaria "muito honrado" de se apresentar com ou contra John McCain, porque acha que "o país seria melhor".

Estas "pérolas" e outras como a de que Obama é "limpo" e é "o primeiro" afro-americano na política dos EUA que é "expressivo, brilhante, ético e de boa aparência" viram uma extraordinária munição para os republicanos.

No entanto, há claramente mais prós do que contras, já que Biden pode ser tanto ou mais agressivo quando se trata de atacar os republicanos, um papel que o candidato a vice-presidente tradicionalmente desempenha nas campanhas eleitorais dos EUA.

Biden, que durante seus 35 anos no Senado ganhou a fama de defensor do cidadão americano, é, sobretudo, um homem inteligente e implacável.

Além disso, muito menos endinheirado que a maioria de seus companheiros do Senado, Biden é um homem franco que viaja diariamente de trem os 250 quilômetros que o separa de sua casa de Delaware e que, acima de tudo, como ele diz, não é uma "superestrela".

Mas é alguém que, como queria Obama, tem suas próprias idéias sobre as coisas e vai desafiá-lo em seus projetos. EFE mla/ab/db

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