Democratas apóiam Obama contra comentários do presidente Bush

Washington, 15 mai (EFE).- Os democratas se reuniram para apoiar o pré-candidato presidencial Barack Obama, que hoje afirmou que a Casa Branca o tinha acusado injustamente de querer conciliar com os ditadores.

EFE |

As palavras de Bush serviram inclusive para uma rara demonstração de solidariedade entre Obama e sua rival pela candidatura presidencial democrata, Hillary Clinton, que saiu em defesa de seu correligionário durante um comício em Dakota do Sul.

Bush mencionou hoje, em discurso perante o Parlamento israelense, que "alguns parecem acreditar que deveríamos negociar com os terroristas e os radicais, como se algum argumento engenhoso fosse persuadi-los de que estão equivocados".

A Casa Branca declarou que esses comentários foram feitos de uma forma geral contra quem sugere dialogar com os inimigos - como fez, entre outros, o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter - e não contra Obama em particular.

Em um comício em Dakota do Sul, Hillary, que no passado havia criticado Obama por propor o diálogo com o Irã, afirmou que a declaração de Bush está mal posicionada em um discurso presidencial.

"Tenho diferenças com o senador Obama em alguns aspectos de política externa, mas acho que estamos unidos em nossa oposição às políticas de Bush e à continuação dessas políticas por parte do senador John McCain (candidato republicano à Casa Branca)", declarou Hillary.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, disse que as afirmações de Bush estão "abaixo da dignidade do gabinete do presidente".

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, lembrou que o Governo Bush demonstrou que acredita que as "negociações - no momento certo, em condições específicas e com os líderes adequados - podem demonstrar força e produzir resultados ao mesmo tempo", como ocorreu nos casos de Coréia do Norte e Líbia.

"Peço ao presidente que explique a divergência entre os atos de seu Governo e suas palavras de hoje", solicitou Reid.

O presidente do Comitê de Assuntos Exteriores do Senado e ex-candidato presidencial democrata Joe Biden afirmou que "chamar de conciliadores aqueles que vêem a necessidade de uma mudança é verdadeiramente ilusório e fazer isso no exterior é uma verdadeira vergonha".

Em seu discurso perante o Knesset, Parlamento israelense, Bush insistiu que as sugestões de diálogo com os inimigos são uma "falsa ilusão" que outros tiveram antes.

"Quando os tanques nazistas cruzavam a Polônia em 1939, um senador americano declarou: 'Deus meu, se pudesse ter falado com Hitler tudo isto poderia ter sido evitado'", apontou.

O presidente americano insistiu que a história tem "desacreditado reiteradamente" esse tipo de atitude conciliadora.

Obama, que durante sua campanha expressou seu interesse em se reunir com os líderes de países como Cuba ou Irã, afirmou que "é triste que o presidente Bush usasse um discurso perante o Knesset (Parlamento israelense) por ocasião do 60º aniversário da independência de Israel para lançar um ataque político falso".

A porta-voz da Casa Blanca Dana Perino negou de Israel que Bush se referisse a Obama.

"Muitos sugeriram este tipo de negociações com pessoas com as quais o presidente Bush não acredita que deveríamos falar", declarou Perino.

"Entendo que quando alguém concorre à Presidência pensa que o mundo gira ao seu redor, mas isso nem sempre é certo e não o é neste caso", acrescentou.

O candidato presidencial republicano, John McCain, criticou insistentemente Obama por dizer que se reuniria com o governante cubano Raúl Castro sem impôr condições.

McCain declarou que só falará com Cuba depois que o Governo da ilha realize eleições livres. EFE tb/bm/fb

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